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21/Aug/2026

Açúcar: futuros recuam com realização de lucros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em leve baixa na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (20/08), em movimento de realização de lucros e liquidação de posições por fundos especulativos após o rali que levou as cotações às máximas em 15 meses nas sessões recentes. O vencimento outubro, referência atual e mais líquido, recuou 3 pontos, ou 0,17%, e fechou a 17,52 centavos de dólar por libra-peso. A realização de lucros nas máximas do ano, a valorização do dólar ante o Real e a demanda física mais cadenciada no mercado internacional estimularam as vendas. A apreciação do dólar favorece a fixação de vendas pelas usinas brasileiras em moeda local. Pelo lado da demanda, dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostraram queda de 37,5% nas importações chinesas de açúcar em julho, para 470 mil toneladas, na comparação anual. No acumulado do ano, as compras externas recuaram 10,1%, para 1,60 milhão de toneladas. Relatórios da StoneX, Bradesco e Vesper também apontam postura cautelosa dos grandes compradores mundiais.

A programação de embarques nos portos brasileiros soma 1,495 milhão de toneladas, queda de 48,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam retração de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcar em julho. A queda das cotações foi limitada, contudo, pela autorização da Índia para importar 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas, pela valorização do petróleo e pelas estimativas de menor oferta no Brasil e na Europa. O governo indiano autorizou a importação do volume com isenção de impostos até 31 de outubro, com o objetivo de conter os preços internos e ampliar a disponibilidade antes da temporada de festas locais. A decisão reforça a percepção de aperto na oferta do segundo maior produtor mundial, que não realizava importações expressivas desde a safra 2017/18. O déficit acumulado das monções na Índia alcançava 13% até 19 de agosto, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), enquanto os estoques de passagem são projetados em 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro, o menor nível em três décadas, conforme a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim.

No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 1,95%, ou US$ 1,79, para US$ 91,62 por barril, fortalecendo a paridade teórica do etanol nas bombas brasileiras. No Centro-Sul, levantamento da S&P Global Energy estima que a produção de açúcar na segunda quinzena de julho recuou 14% ante igual período do ano anterior, para 3,12 milhões de toneladas, enquanto o mix açucareiro diminuiu para 49,33%. As projeções de déficit global também sustentam a percepção de oferta mais ajustada. O Itaú BBA estima déficit de 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow projeta 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. Green Pool Commodity Specialists calcula déficit de 3,3 milhões de toneladas; Datagro, de 1,85 milhão; StoneX, de 1,7 milhão; Covrig Analytics, de 300 mil; e Organização Internacional do Açúcar (ISO), de 262 mil toneladas. No horizonte climático, a NOAA e o CPC mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito forte até setembro, fator que permanece no radar do mercado por seus potenciais impactos sobre a produção agrícola global.