21/Aug/2026
O temor de um El Niño de forte intensidade voltou a ganhar peso no mercado global de açúcar e já influencia o posicionamento de investidores e produtores. As posições em aberto nos contratos futuros de açúcar bruto e refinado chegaram a 2,3 milhões no dia 14 de agosto, segundo a ICE, maior nível da série histórica e acima do recorde anterior, registrado em 2010. O movimento reflete a busca por proteção diante do aumento das incertezas sobre a oferta mundial. O mercado começa a precificar um risco climático ainda não materializado, mas que pode afetar importantes regiões produtoras. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos estima em 90% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027.
O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em áreas produtoras de commodities tropicais, ampliando os riscos para a produção de cana-de-açúcar. A intensidade e a duração do fenômeno serão determinantes para definir se a preocupação permanecerá concentrada no mercado futuro ou se resultará em efeitos concretos sobre a oferta mundial de açúcar. O mercado já incorpora aos preços dos contratos futuros parte do risco associado às expectativas climáticas. As preocupações com o clima se somam a outros fatores de oferta. Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, as chuvas de monção estão abaixo da média. No Brasil, maior produtor global, há preocupação com o excesso de precipitações durante a etapa final da colheita.
O cenário também provocou mudança no posicionamento dos investidores. Na última semana, os fundos voltaram a comprar contratos de açúcar bruto e injetaram US$ 2,5 bilhões no mercado, revertendo parte das posições de baixa acumuladas anteriormente. As usinas, por sua vez, aproveitaram a recuperação das cotações para ampliar a proteção de preços por meio da venda de contratos futuros. Para o Brasil, uma eventual redução da oferta global tende a criar condições mais favoráveis de preços para produtores e exportadores de açúcar. Ao mesmo tempo, um El Niño mais intenso pode afetar outras culturas e provocar mudanças nos preços de alimentos e energia, dependendo dos impactos sobre as diferentes regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.