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21/Aug/2026

Açúcar: Índia exerce pressão altista sobre preços

A autorização da Índia para importar 1 milhão de toneladas de açúcar deve manter o mercado internacional sob pressão altista no curto prazo, mas a oferta brasileira e a possibilidade de aumento do mix açucareiro no Centro-Sul limitam o espaço para novas altas. Após o anúncio da cota indiana, os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York chegaram a tocar 18,00 centavos de dólar por libra-peso, mas o vencimento outubro, referência atual e mais líquido, encerrou a sessão desta quinta-feira (20/08) em 17,52 centavos de dólar por libra-peso, queda de 3 pontos, equivalente a 0,17%. A cota indiana, de 1 milhão de toneladas e com isenção de tarifas, prevê entrega até 31 de outubro de 2026 e adiciona um volume expressivo de demanda em uma janela de pouco mais de dois meses.

O movimento ocorre em um ambiente de oferta global mais ajustada, com as monções na Índia mais de 10% abaixo da média, expectativa de quebra da safra da Tailândia em 2026/27 e possibilidade de maior necessidade de importações pela União Europeia, especialmente nos três primeiros trimestres de 2027, em razão da combinação de estiagem severa e temperaturas elevadas. A StoneX considera significativamente altista a perspectiva para os preços do açúcar refinado e, consequentemente, para o diferencial entre Londres e Nova York, indicador que costuma antecipar movimentos de maior demanda no mercado físico de açúcar bruto. No Brasil, contudo, o cenário de curto prazo permanece marcado por pressão vendedora. Com o açúcar demerara em Nova York em níveis elevados, as usinas do Centro-Sul têm incentivo para ampliar a participação do açúcar no mix de produção entre agosto e outubro.

A demanda global ainda enfraquecida também limita o potencial de valorização. A oferta brasileira é suficiente para atender à demanda adicional da Índia, mas o prazo de entrega representa um fator de restrição. Uma carga de açúcar VHP, produto bruto com alto teor de sacarose, embarcada no Porto de Santos (SP) levaria cerca de dois meses para alcançar os portos do oeste da Índia. O produto brasileiro chegaria a um custo estimado entre US$ 430,00 e US$ 450,00 por tonelada, sem considerar o imposto sobre bens e serviços, ante aproximadamente US$ 615,00 por tonelada do açúcar indiano. A estrutura da curva de preços também indica maior sustentação nos contratos de curto prazo. O vencimento março de 2027 já se aproxima de 19,00 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os contratos mais longos, a partir de maio de 2027, operam praticamente estáveis ou em queda.

Esse comportamento sugere que as recentes altas vêm sendo aproveitadas pelas usinas para garantir margens mais atrativas. O posicionamento dos fundos permanece como outro fator relevante para a formação das cotações. Até 11 de agosto, os investidores haviam ampliado em mais de 115 mil lotes a posição líquida vendida em Nova York. A posição em 18 de agosto deve ter ficado entre 75 mil e 85 mil lotes vendidos. A elevada participação especulativa pode ampliar a volatilidade e dificultar a leitura dos fundamentos de curto prazo. Os fundos ainda podem sustentar novos movimentos de alta nos próximos pregões, enquanto permanecem em aberto as perspectivas para as safras da Tailândia, da União Europeia e do próprio Centro-Sul brasileiro. A combinação entre a demanda adicional da Índia e a oferta global mais ajustada tende a dar sustentação ao mercado, mas o potencial de avanço das cotações permanece limitado pela capacidade brasileira de ampliar a produção de açúcar no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.