21/Aug/2026
O governo da Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção total de tarifas até 31 de outubro de 2026, em uma tentativa de conter a forte elevação dos preços domésticos. A medida foi anunciada pelo Ministério do Comércio e ocorre às vésperas da temporada de festividades religiosas, período de pico sazonal do consumo de açúcar no país. A decisão representa a primeira abertura da Índia para importações de açúcar sem tarifas em quase uma década e suspende temporariamente a alíquota de 100% aplicada às compras externas da commodity. Os preços domésticos subiram quase 40% em dois meses, em meio à menor produção e ao aperto da oferta, levando as cotações a níveis recordes.
A cota será destinada a usinas e refinarias com capacidade operacional para transformar açúcar bruto em branco. As empresas poderão se inscrever entre 21 e 28 de agosto, com preferência para aquelas que se comprometerem a concluir as importações até 15 de outubro. A medida também permite que refinarias localizadas em portos direcionem ao mercado doméstico açúcar branco produzido a partir de matéria-prima importada. A disponibilidade adicional no mercado indiano pode ocorrer de forma gradual. Parte das refinarias já possui açúcar bruto importado e poderia disponibilizar rapidamente cerca de 300 mil toneladas no mercado interno. Para novas compras, porém, o tempo de trânsito, especialmente em embarques provenientes do Brasil, tende a postergar a entrada efetiva do produto para outubro.
A decisão indiana teve impacto imediato sobre o mercado internacional. Os contratos futuros de açúcar branco em Londres e de açúcar bruto em Nova York chegaram a subir até 4% após o anúncio, refletindo a perspectiva de aumento das compras externas pelo maior mercado consumidor mundial. Para o mercado doméstico indiano, entretanto, a ampliação da oferta tende a limitar a continuidade da alta dos preços. A StoneX destaca que os preços em Kolhapur, em Maharashtra, avançaram de cerca de 4.100 rúpias por quintal para 6.400 rúpias por quintal desde o início das monções, alta de 56%, renovando máximas. Sem importações, a estimativa era de estoques próximos de 4 milhões de toneladas ao final de setembro de 2026, em um momento de consumo elevado e transição para a nova safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.