21/Aug/2026
O Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT) defende a manutenção de projetos de implantação e ampliação de usinas de etanol entre as iniciativas financiáveis pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima). Em carta encaminhada ao presidente da República, a ministros e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a entidade sustenta que a análise dos projetos deve considerar não apenas a maturidade tecnológica, mas também os impactos sobre a transição energética, desde que sejam comprovados resultados climáticos e ambientais. A manifestação ocorre após carta assinada por 39 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (Conselhão), que propõe avaliação mais rigorosa dos investimentos do Fundo Clima e questiona o apoio a projetos sem nível suficiente de inovação tecnológica ou caráter estruturante.
O Bioind-MT reconhece a importância da avaliação sobre a aplicação de recursos públicos, mas defende critérios baseados em métricas de emissões evitadas, adicionalidade climática, integridade socioambiental, eficiência econômica e monitoramento de resultados. Projetos de etanol que atendam aos critérios de elegibilidade e apresentem resultados climáticos verificáveis são compatíveis com as modalidades do Fundo Clima. O etanol brasileiro é uma plataforma tecnológica e industrial, com potencial de incorporação de eficiência energética, aproveitamento de coprodutos, produção de biogás e biometano, utilização de resíduos agrícolas, geração renovável e desenvolvimento de novas rotas de conversão. No etanol de milho, o Bioind-MT defende que os projetos sejam avaliados como biorrefinarias, considerando o conjunto de produtos e efeitos associados à atividade.
Entre os produtos citados estão DDG/DDGS para alimentação animal, óleo de milho e energia, além da integração com a produção de milho de 2ª safra. A entidade propõe a avaliação de indicadores como balanço energético, emissões ao longo do ciclo de vida, eficiência no uso de água e energia e potencial de acesso a novos mercados, incluindo combustíveis marítimos e Sustainable Aviation Fuel (SAF). A entidade também identifica potencial para ampliar o uso do etanol além do transporte rodoviário. A carta cita estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre combustíveis marítimos e destaca a participação dos biocombustíveis na descarbonização do transporte aquaviário. O documento menciona ainda o reconhecimento, pela Organização Marítima Internacional (IMO), de um valor-padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro produzido a partir da 2ª safra.
No setor de aviação, o Bioind-MT cita estudos sobre a produção de SAF a partir de etanol e defende a utilização do Fundo Clima para reduzir os riscos tecnológico e financeiro associados a pesquisa, plantas-piloto, demonstração, certificação e infraestrutura. O desenvolvimento de SAF a partir de etanol é apresentado pela entidade como uma possibilidade de ampliar internacionalmente uma base produtiva já estabelecida no Brasil. O financiamento público deve priorizar projetos com metas definidas de emissões evitadas, governança socioambiental, adicionalidade financeira e climática e transparência de dados. A entidade avalia que a política pública pode acelerar a transição do etanol convencional para aplicações de maior valor climático e tecnológico, aproveitando a maturidade da base produtiva para ampliar o desenvolvimento de aplicações marítimas, aeronáuticas e industriais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.