21/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (19/08), dando continuidade ao movimento comprador recente e renovando a maior cotação de fechamento em 15 meses. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido do mercado, avançou 8 pontos, equivalentes a 0,46%, e fechou a 17,55 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do petróleo, as especulações sobre a necessidade de a Índia voltar ao mercado internacional como importadora, o enfraquecimento global do dólar e as sucessivas revisões de déficit na oferta mundial sustentaram as compras. No setor de energia, o petróleo WTI disparou 1,64%, ou US$ 1,49, para US$ 91,02 por barril, fortalecendo a paridade teórica do biocombustível frente à gasolina. No balanço global de oferta e demanda, o suporte às cotações também foi reforçado pelo Itaú BBA, que elevou para 1,4 milhão de toneladas sua estimativa de déficit mundial de açúcar em 2026/27.
A revisão considera a quebra da produção europeia de beterraba provocada por seca e calor extremos. O ajuste se soma à projeção da Czarnikow de déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28 e à estimativa de redução de 900 mil toneladas na produção do Centro-Sul do Brasil em 2026/27, para 38,6 milhões de toneladas. No setor sucroenergético brasileiro, informações da usina São Martinho reforçaram a percepção de perda de rendimento de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana em decorrência das chuvas registradas anteriormente. O cenário é compatível com os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontam queda acumulada de 12,4% na produção de açúcar até julho, para 10,754 milhões de toneladas. A possibilidade de retorno da Índia ao mercado internacional ganhou relevância com a informação de que o governo indiano avalia reduzir impostos de importação do açúcar para conter os preços internos e reforçar os estoques antes do período festivo local.
A eventual medida sinaliza aperto na oferta do segundo maior produtor mundial, que não realiza importações expressivas desde a safra 2017/18. A situação da oferta indiana é agravada pelo déficit acumulado de 13% nas monções até 17 de agosto, conforme o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), e pela projeção de estoques de passagem na menor marca em três décadas. A Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim estima estoques de 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro. A alta das cotações, contudo, foi parcialmente limitada pela realização de lucros dos fundos após o forte rali recente e pela postura cautelosa da demanda física no mercado internacional. Com a valorização expressiva dos preços nas últimas semanas, gestoras passaram a liquidar parcialmente posições e realizar ganhos. No mercado físico internacional, a demanda chinesa permanece mais contida. A Administração Geral de Alfândegas da China informou que as importações chinesas de açúcar em julho recuaram 37,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 470 mil toneladas.
No acumulado do ano, as compras somam 1,60 milhão de toneladas, queda de 10,1%. Relatórios do Itaú BBA e de consultorias como StoneX, Bradesco e Vesper indicam que grandes compradores globais, entre eles Indonésia e China, mantêm ritmo cadenciado de compras. A programação de embarques nos portos brasileiros, medida pelo line-up, soma 1,495 milhão de toneladas, retração de 48,9% na comparação anual. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também mostram redução de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcar em julho, para 2,992 milhões de toneladas. No cenário climático, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño classificado como muito forte até setembro. O fenômeno permanece como fator adicional de atenção para as perspectivas de produção agrícola e para o equilíbrio global de oferta e demanda de açúcar.