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21/Aug/2026

Açúcar: alta de preços recente pode ser exagerada

Segundo a Hedgepoint Global Markets, a recuperação recente dos preços do açúcar para a faixa de 17,00 a 18,00 centavos de dólar por libra-peso pode estar exagerada diante dos fundamentos, embora o risco de um El Niño muito forte e a redução da oferta em importantes produtores do Hemisfério Norte tenham alterado a percepção do mercado nas últimas semanas. Assim como os preços próximos de 13,00 centavos de dólar por libra-peso podem ter representado um exagero na baixa, o intervalo atual de 17,00 a 18,00 centavos pode estar exagerado na alta. Parte da valorização ocorreu após um período em que os fundos acumulavam posição líquida vendida de aproximadamente 130 mil contratos, cerca de 20 dias atrás. A perspectiva de um El Niño intenso, com potencial de prejudicar as safras da Índia, Tailândia e México, levou investidores a reduzir essa exposição e reforçou o movimento técnico de alta. A redução das posições vendidas ocorreu em um mercado com menor liquidez, ampliando a pressão compradora.

O El Niño mantém riscos relevantes para a oferta. A Hedgepoint estima probabilidade superior a 75% de ocorrência de um evento muito forte entre agosto e novembro, com possíveis efeitos negativos sobre importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte. A consultoria projeta queda de 20% na produção da Tailândia e trabalha com produção de 27,5 milhões de toneladas na Índia, além de reduções no México, na América Central e na Europa. Esse cenário também apertou particularmente o mercado de açúcar branco. Várias das origens com perspectiva de produção menor, como Tailândia, Índia, Europa, México e Guatemala, possuem participação relevante na oferta de refinado, enquanto o aumento da produção brasileira está concentrado principalmente no açúcar bruto. Dessa forma, o mercado mundial de açúcar refinado apresenta maior aperto na oferta.

Apesar desse quadro, o superávit deve ser de aproximadamente 3 milhões de toneladas nos fluxos comerciais acumulados até setembro de 2027. A métrica é diferenciada pela consultoria do balanço tradicional de oferta e demanda, que atualmente se encontra próximo do equilíbrio. O cálculo já incorpora perdas associadas ao El Niño em algumas origens e considera uma produção brasileira robusta, capaz de compensar parte relevante da redução no Hemisfério Norte. O Brasil exerce papel central nesse equilíbrio por responder por mais da metade das exportações mundiais e manter elevada disponibilidade de cana-de-açúcar. Mesmo em um cenário mais adverso, com chuvas reduzindo o mix de açúcar do Centro-Sul de 47,7% para 47,1% e retirando aproximadamente 500 mil toneladas da produção brasileira, o excedente nos fluxos comerciais recuaria apenas para 2,5 milhões de toneladas.

Pelo lado da demanda, há sinais de enfraquecimento. O line-up brasileiro está mais lento que no mesmo período do ano anterior, enquanto alguns destinos reduziram as compras. Entre os fatores estão os estoques elevados na China, a menor importação da Indonésia e as dificuldades enfrentadas por refinarias do Golfo Pérsico em meio às restrições de navegação no Estreito de Ormuz. O conflito entre Estados Unidos e Irã também representa risco para alguns fluxos comerciais na região, especialmente os de açúcar branco. O mercado, portanto, encontra suporte no curto prazo, mas ainda não apresenta fundamentos equivalentes aos observados em ciclos anteriores de forte valorização, quando perdas simultâneas de produção no Brasil e no Hemisfério Norte levaram as cotações para acima de 25,00 centavos de dólar por libra-peso. Para sustentar preços acima de 17,00 centavos por libra-peso por período mais prolongado, seria necessário um choque adicional de oferta ou de demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.