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21/Aug/2026

Açúcar: projeção para o ciclo 2027/28 no Centro-Sul

Segundo a primeira estimativa da Hedgepoint Global Markets para o ciclo 2027/28 no Centro-Sul do Brasil, a produção de açúcar pode atingir 43 milhões de toneladas na safra, com o mix açucareiro avançando para 50%. O cenário combina maior disponibilidade de cana com uma relação de preços que atualmente favorece o açúcar em relação ao etanol, reforçando a capacidade brasileira de compensar eventuais perdas em outras origens. A previsão de moagem é de 655 milhões de toneladas de cana, sendo 650 milhões de toneladas produzidas no ciclo e cerca de 5 milhões de toneladas de cana bisada da temporada anterior, além de ATR médio próximo de 139 quilos por tonelada. Na safra 2026/27, a Hedgepoint estima moagem de 635,5 milhões de toneladas, produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar e mix de 47,7%. O atual diferencial de preços incentiva as usinas a direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o açúcar. O açúcar remunera atualmente entre 25% e 30% mais que o etanol, favorecendo economicamente a maximização da produção de açúcar.

A combinação de maior moagem e mix mais açucareiro reforça o peso do Brasil no equilíbrio global. O País responde por mais da metade das exportações mundiais de açúcar e, por isso, uma safra robusta no Centro-Sul pode compensar parte relevante das perdas esperadas em produtores do Hemisfério Norte. Deve haver reduções de produção em países como Tailândia, Índia e México diante do risco de um El Niño intenso. O clima, porém, pode alterar o tamanho da oferta brasileira. No Centro-Sul, a correlação histórica com o El Niño é fraca, mas eventos mais intensos podem elevar as chuvas em algumas regiões. Cerca de 25% da área canavieira, incluindo partes de Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e norte do Paraná, já registra precipitações acima da média, enquanto o restante permanece mais próximo da normalidade. Esse quadro produz efeitos opostos entre as duas temporadas. Chuvas excessivas podem prejudicar a moagem atual, reduzir o ATR e limitar o avanço do mix açucareiro em 2026/27.

Ao mesmo tempo, favorecem o desenvolvimento da cana que será colhida no ciclo seguinte e podem elevar a disponibilidade de matéria-prima. Assim, um excesso de chuva além do previsto tende a prejudicar a temporada atual, mas favorecer a oferta da temporada seguinte. Há espaço industrial para absorver uma moagem maior. O Centro-Sul já processou volumes superiores aos atualmente projetados, enquanto indicadores de vegetação mostram boas condições das lavouras, com área relativamente estável e uso de fertilizantes dentro da normalidade. A projeção para 2027/28 ainda é preliminar e deverá ser refinada após a consultoria incorporar os dados efetivos de chuva entre outubro e dezembro. Ainda assim, o cenário inicial aponta para uma oferta brasileira capaz de manter o País como principal elemento de equilíbrio do mercado global de açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.