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19/Aug/2026

Açúcar: futuros na maior cotação em quinze meses

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em forte alta na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (18/08), estendendo o movimento de valorização das sessões recentes e alcançando a maior cotação de fechamento em 15 meses. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, avançou 60 pontos, ou 3,56%, e fechou a 17,47 centavos de dólar por libra-peso. A possibilidade de redução das tarifas de importação de açúcar pela Índia, revisões altistas para o déficit global projetadas pelo Itaú BBA e pela Czarnikow, a valorização do petróleo e os alertas sobre perda de rendimento industrial no Brasil ampliaram as ordens de compra no mercado. A atenção se concentrou especialmente na avaliação do governo indiano sobre a redução dos impostos de importação para conter os preços domésticos e recompor estoques antes das festividades locais. A eventual abertura das compras externas sinaliza maior aperto na oferta global do segundo maior produtor mundial de açúcar, que não realiza importações expressivas desde a safra 2017/18.

No balanço global de oferta e demanda, o Itaú BBA elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar em 2026/27 de 700 mil para 1,4 milhão de toneladas, atribuindo o ajuste principalmente à quebra da produção europeia de beterraba provocada por calor e seca extremos. A revisão se soma à estimativa recente da Czarnikow, que projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28 e reduziu em 900 mil toneladas sua projeção para a produção do Centro-Sul brasileiro em 2026/27, para 38,6 milhões de toneladas. No mercado doméstico, as perspectivas de menor produção também ganharam força. A São Martinho indicou que as estimativas nacionais devem ser revisadas para baixo em razão da redução do indicador de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) provocada pelas chuvas registradas anteriormente. O cenário é compatível com os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram queda de 26,3% na produção de açúcar em junho, para 3,903 milhões de toneladas, e retração acumulada de 12,4% no ciclo, para 10,754 milhões de toneladas.

No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 0,47%, ou US$ 0,43, para US$ 90,87 por barril, fortalecendo a paridade teórica do etanol frente à gasolina no Brasil e contribuindo para o suporte aos preços do açúcar. Na Europa, a S&P Global Energy projeta uma colheita de beterraba de 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos. Na Índia, o Departamento Meteorológico da Índia (IMD) registrava déficit de 13% no acumulado das monções até 17 de agosto. O cenário aumenta o risco de redução dos estoques indianos para 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro, o menor nível em três décadas segundo a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim. O aperto estrutural projetado para o ciclo 2026/27 também é apontado por diferentes instituições. A Green Pool Commodity Specialists estima déficit de 3,3 milhões de toneladas, enquanto Datagro projeta 1,85 milhão de toneladas, StoneX 1,7 milhão de toneladas, Citi 1,3 milhão de toneladas, Covrig Analytics 300 mil toneladas e Organização Internacional do Açúcar (ISO) 262 mil toneladas.

Por outro lado, a valorização do dólar ante o Real, a demanda física ainda cautelosa e a retração dos embarques brasileiros limitaram ganhos mais expressivos. O dólar comercial avançava 0,17%, para R$ 5,20, favorecendo a fixação de vendas pelas usinas brasileiras em moeda local. Na comercialização internacional, Itaú BBA e consultorias como StoneX, Bradesco e Vesper indicam que grandes importadores, incluindo China e Indonésia, mantêm ritmo moderado de novas aquisições. A programação de embarques nos portos brasileiros, segundo o consultor Michael McDougall, soma 1,495 milhão de toneladas, queda de 48,9% ante igual período do ano anterior. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também mostram retração das exportações brasileiras, de 16,6% em julho, para 2,992 milhões de toneladas. No cenário climático de médio prazo, a NOAA e o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito forte até setembro, fator adicional de risco para a oferta global de açúcar e para a formação dos preços internacionais.