18/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta segunda-feira (17/08) na Bolsa de Nova York, em movimento de recuperação após a realização de lucros da sessão anterior e de aproximação das máximas recentes. O vencimento outubro, referência atual e mais líquido do mercado, avançou 27 pontos, ou 1,63%, e fechou a 16,87 centavos de dólar por libra-peso. A nova projeção da consultoria Czarnikow, indicando que o déficit global de açúcar deverá se estender para a safra 2027/28, contribuiu para sustentar as compras. Também influenciaram o movimento a alta do petróleo no mercado internacional, os alertas de menor rendimento industrial no Brasil e os riscos climáticos na Europa e na Ásia. A Czarnikow passou a projetar déficit mundial de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, atribuindo o quadro à redução da área plantada com cana-de-açúcar e beterraba na Índia, na União Europeia e na Tailândia. A consultoria também reduziu em 900 mil toneladas sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2026/27, para 38,6 milhões de toneladas.
A revisão do balanço entre oferta e demanda reforça os alertas sobre a produção brasileira. A avaliação do setor é de que as estimativas para a safra deverão ser revistas para baixo em razão da queda rápida do indicador de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), atribuída às chuvas ocorridas anteriormente. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também apontam retração da produção. Em junho, a fabricação de açúcar caiu 26,3% na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas. No acumulado do ciclo, a produção somou 10,754 milhões de toneladas, queda de 12,4%. No mercado de energia, o petróleo WTI subia 0,66%, ou US$ 0,58, cotado a US$ 88,52 por barril, movimento que amplia a paridade teórica do biocombustível em relação à gasolina e favorece o direcionamento de matéria-prima para a produção de etanol pelas usinas brasileiras. Esse cenário também considera os efeitos da mistura obrigatória E32, com 32% de anidro na gasolina, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A medida deverá adicionar 633 milhões de litros à demanda por etanol na safra 2026/27, conforme estimativa do Bradesco, podendo alcançar 1 bilhão de litros em base anualizada, segundo o Citi. Na Europa, dados da S&P Global Energy apontam para uma colheita de açúcar de 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos. Na Ásia, o Departamento Meteorológico da Índia (IMD) informou que o déficit acumulado das monções chegou a 13% abaixo da média histórica até 17 de agosto. O quadro aumenta o risco de redução dos estoques indianos para 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro, o menor nível em três décadas, segundo a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim, elevando a possibilidade de necessidade de importações pelo país. As estimativas de déficit para o ciclo 2026/27 reforçam a percepção de oferta mais restrita. A Green Pool Commodity Specialists projeta déficit de 3,3 milhões de toneladas; a Datagro, de 1,85 milhão de toneladas; a StoneX, de 1,7 milhão de toneladas; o Citi, de 1,3 milhão de toneladas; o Itaú BBA, de 700 mil toneladas; a Covrig Analytics, de 300 mil toneladas; e a Organização Internacional do Açúcar (ISO), de 262 mil toneladas.
Apesar dos fundamentos de oferta, ganhos mais expressivos dos contratos em Nova York foram limitados pela postura cautelosa dos compradores internacionais no mercado físico e pela retração dos embarques na origem. StoneX, Bradesco e Vesper apontam que grandes importadores, entre eles China e Indonésia, mantêm ritmo mais moderado de novas aquisições. A programação de embarques nos portos brasileiros, conhecida como line-up, soma 1,495 milhão de toneladas, retração de 48,9% na comparação anual. Os dados acompanham os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que registraram queda de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcar em julho, para 2,992 milhões de toneladas. No cenário climático de médio prazo, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito forte até setembro. O risco climático, combinado às revisões negativas para a produção em importantes regiões produtoras, mantém o balanço global de açúcar sob atenção e sustenta os preços internacionais.