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18/Aug/2026

Açúcar: projeção para déficit global em 2026/2027

O Itaú BBA elevou de 700 mil toneladas para 1,4 milhão de toneladas sua estimativa para o déficit global de açúcar na safra 2026/27, principalmente em razão da piora da produtividade projetada para a beterraba na Europa. A revisão reforça o suporte às cotações na Bolsa de Nova York e ajuda a explicar a recente valorização dos contratos futuros, mas a demanda internacional ainda fraca mantém riscos baixistas para o mercado. A redução da produtividade da beterraba na próxima safra, após uma onda de calor extremo e baixos volumes de chuva na Europa, foi o principal fator para a revisão do balanço global. O Itaú BBA considera que a piora do rendimento agrícola europeu foi determinante para elevar a estimativa de déficit de açúcar. A nova projeção ocorre em um cenário de recuperação das cotações na Bolsa de Nova York. Após se aproximar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso em julho, o açúcar rompeu a marca de 16,00 centavos por libra-peso em agosto, em meio a sucessivas revisões dos balanços globais e ao aumento da percepção de riscos para a oferta no médio e longo prazos.

Preços abaixo de 15,00 centavos de dólar por libra-peso eram incompatíveis com a expectativa de déficit para 2026/27. O cenário de oferta mais restrita, contudo, não elimina os fatores de baixa. Destaque para fragilidade da demanda global, evidenciada pela retração das exportações brasileiras e pelos descontos relevantes observados nos preços FOB Porto de Santos (SP). Do lado da oferta, a China projeta produção recorde de açúcar em 2026/27. Para a Índia, a produção estimada é de 29 milhões de toneladas com viés de alta, diante da possibilidade de redução adicional da destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol. Na Europa, apesar de uma produção cerca de 3 milhões de toneladas menor, o aumento das importações tende a ser limitado pela elevada disponibilidade de estoques. Até 31 de maio, os estoques europeus estavam 12% acima do nível registrado na mesma data de 2025. O estoque de passagem projetado para o bloco deve ser o maior dos últimos cinco anos. Dessa forma, mesmo em regiões com expectativa de quebra de safra, a disponibilidade de estoques limita a necessidade de importações.

Na Índia, a previsão de chuvas abaixo da média em agosto e uma maior intervenção do governo para conter a inflação doméstica voltaram a alimentar expectativas de importações. A operação, porém, ainda não apresenta viabilidade econômica, já que a valorização do açúcar no mercado indiano e a desvalorização da rúpia mantêm o produto importado mais caro que o açúcar doméstico. No Brasil, a projeção de moagem é de 644,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27, com mix açucareiro de 46,4% e produção de 39,4 milhões de toneladas de açúcar. A combinação de menor qualidade da matéria-prima e reduzida flexibilidade industrial deve limitar uma expansão mais acentuada do direcionamento para açúcar. Até o fim de julho, o mix açucareiro estava em 44,2%, ante 52% um ano antes. Há forte viés de baixa para sua estimativa de qualidade da matéria-prima, atualmente em 138,3 quilos de ATR por tonelada, o que pode limitar ainda mais o potencial de produção de açúcar no Centro-Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.