18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, a recuperação dos preços do etanol no mercado brasileiro ainda depende da retomada da demanda interna para se consolidar. Apesar da reação recente das cotações, o mercado permanece pressionado pela oferta abundante e precisa absorver cerca de 2 bilhões de litros por mês para evitar o acúmulo de estoques de passagem. A avaliação é de que uma reversão consistente do ciclo de desvalorização do biocombustível exige uma retomada mais rápida do consumo doméstico. O Itaú BBA identifica condições para uma reação mais consistente da demanda a partir de agosto, considerando a manutenção de uma paridade favorável ao etanol por período prolongado e o maior número de dias úteis para comercialização. Nos postos de São Paulo, a paridade média do etanol hidratado permanece abaixo de 60% desde o início de junho.
O biocombustível também apresenta vantagem econômica em dez Estados, que, em conjunto, representam cerca de dois terços da demanda brasileira por combustíveis leves. Julho, entretanto, é tradicionalmente um período de menor dinamismo do consumo, fator que limita a expectativa de crescimento mais expressivo da demanda. A recuperação das cotações ocorreu após uma forte queda ao longo de julho. Na primeira quinzena de agosto, o avanço dos preços do açúcar, a valorização do real e a expectativa de melhora da demanda contribuíram para sustentar a reação do mercado, levando o preço ao produtor para próximo de R$ 2,20 por litro na semana de 10 a 14 de agosto. Parte dessa alta representa uma correção após a queda considerada excessiva, em um ambiente de maior volatilidade no mercado brasileiro de etanol.
Pelo lado da demanda, dois fatores são considerados positivos. O primeiro é a elevação, a partir de 1º de agosto, da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. O segundo é a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 114/2026 pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em 12 de agosto. O mercado externo, por sua vez, oferece suporte limitado ao equilíbrio do mercado brasileiro. As exportações de etanol do País estão prejudicadas pela tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos ao produto desde 22 de julho. Ao mesmo tempo, o avanço do etanol norte-americano em mercados globais reduz as alternativas disponíveis para o escoamento da produção brasileira, reforçando a necessidade de recuperação do consumo interno para absorver a oferta e contribuir para uma sustentação mais consistente dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.