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17/Aug/2026

Açúcar: futuros recuam com realização de lucros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda na Bolsa de Nova York na sexta-feira (14/08), em movimento de realização de lucros e liquidação de posições por fundos após os preços atingirem máximas em mais de um ano nas sessões recentes. O contrato outubro, referência atual e mais líquido, recuou 22 pontos, equivalente a 1,31%, e fechou a 16,60 centavos de dólar por libra-peso. A realização de ganhos acumulados ao longo de agosto, a valorização do dólar no Brasil e a postura cautelosa dos compradores no mercado físico internacional concentraram as ordens de venda. No mercado cambial doméstico, o dólar alcançou os maiores níveis desde julho, o que estimula as usinas brasileiras a realizar fixações de vendas de exportação na origem em moeda local.

Na demanda externa, StoneX, Bradesco e Vesper avaliam que grandes importadores, como China e Indonésia, mantêm ritmo cadenciado de novas aquisições. O movimento ocorre em paralelo à redução da programação de embarques nos portos brasileiros, com line-up de 1,495 milhão de toneladas, queda de 48,9% em relação ao mesmo período anterior, e ao recuo de 16,6% das exportações brasileiras de açúcar em julho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A queda dos contratos, contudo, foi limitada pelas perspectivas de déficit global de açúcar para 2027/28, pelos alertas de redução do ATR no Brasil e pelas perdas de produção na Europa e na Ásia. A Czarnikow estima déficit global de 2,9 milhões de toneladas na safra 2027/28, associado à redução das áreas cultivadas com cana-de-açúcar e beterraba e à retração de 0,7% da produção mundial, para 177 milhões de toneladas, diante de condições climáticas adversas na Índia, União Europeia e Tailândia.

No Brasil, os alertas sobre a perda de rendimento industrial no Centro-Sul reforçam a perspectiva de menor produção. A São Martinho avalia que as estimativas para a produção brasileira de açúcar deverão ser revisadas para baixo em razão da queda rápida dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), provocada pelas chuvas registradas anteriormente. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram redução de 26,3% na fabricação de açúcar em junho, para 3,903 milhões de toneladas, enquanto a produção acumulada na safra recuou 12,4%. No mercado internacional, a S&P Global Energy projeta a produção europeia no menor nível em 11 anos, em 14,98 milhões de toneladas. Na Índia, o Departamento Meteorológico da Índia (IMD) registrou déficit de 12% no acumulado das monções até 13 de agosto.

A menor disponibilidade de chuvas aumenta o risco de redução dos estoques indianos de passagem para 3,5 milhões de toneladas, o menor nível em três décadas, segundo a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim. As estimativas de déficit global para a safra 2026/27 também permanecem disseminadas entre consultorias e instituições. A Green Pool Commodity Specialists projeta déficit de 3,3 milhões de toneladas; a Datagro, de 1,85 milhão de toneladas; a StoneX, de 1,7 milhão de toneladas; o Citi, de 1,3 milhão de toneladas; o Itaú BBA, de 700 mil toneladas; a Covrig Analytics, de 300 mil toneladas; e a Organização Internacional do Açúcar (ISO), de 262 mil toneladas. O cenário de oferta mais restrita, somado à implementação da mistura E32 no Brasil, reduz o espaço para quedas mais acentuadas dos preços, mesmo diante do movimento de realização de lucros e da menor intensidade da demanda física no curto prazo.