17/Aug/2026
A Czarnikow prevê déficit global de açúcar de 900 mil toneladas na safra 2026/27 e de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. A projeção para 2026/27 considera produção mundial de 178,3 milhões de toneladas, abaixo do consumo estimado em 179,2 milhões de toneladas. Para 2027/28, a produção deve recuar para 177 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve permanecer praticamente estável em 179,9 milhões de toneladas. A estimativa para 2026/27 incorpora uma redução de 200 mil toneladas na produção global, com o corte na oferta do Centro-Sul do Brasil compensando mais do que as revisões positivas em outros países. A previsão para a região brasileira foi reduzida de 39,5 milhões para 38,6 milhões de toneladas, em razão das chuvas intensas registradas em junho e julho, que reduziram o teor de açúcar da cana-de-açúcar, além de ajustes negativos nas premissas de moagem e de mix açucareiro.
A recuperação recente dos preços do açúcar contribuiu para sustentar a rentabilidade relativa da produção das usinas brasileiras e evitou uma redução ainda maior do direcionamento da cana-de-açúcar para açúcar. Entre as revisões positivas na produção de 2026/27, a China teve aumento de 300 mil toneladas, o Paquistão de 400 mil toneladas e a Indonésia e os Estados Unidos de 200 mil toneladas cada. Para a Rússia, a estimativa foi reduzida em 200 mil toneladas. Para 2027/28, a produção mundial projetada pela Czarnikow será 1,3 milhão de toneladas inferior à estimativa para 2026/27. O déficit de 2,9 milhões de toneladas decorre principalmente da expectativa de menor disponibilidade de cana-de-açúcar e beterraba em importantes produtores, como Índia, União Europeia e Tailândia, em um cenário de redução da área plantada.
Na Índia, a produção pode recuar para entre 26 milhões e 27 milhões de toneladas em 2027/28, ante 28,4 milhões de toneladas estimadas para 2026/27. Condições desfavoráveis de monções podem reduzir o plantio de cana em partes de Maharashtra e Karnataka. Em Maharashtra, a maior dependência de canaviais mais antigos também pode comprometer os rendimentos. Para 2026/27, ainda existe possibilidade de revisão positiva caso os preços elevados do açúcar no mercado doméstico reduzam o direcionamento de sacarose para a produção de etanol. Na União Europeia, a produção de açúcar é projetada em 13,2 milhões de toneladas em 2027/28, ante 13,9 milhões de toneladas previstas para 2026/27. A pressão sobre a rentabilidade de produtores e processadores pode provocar nova redução da área cultivada com beterraba, enquanto os rendimentos devem permanecer próximos da média.
As condições de calor extremo e seca observadas na Europa representam, contudo, risco de novas revisões negativas. Na Tailândia, a oferta também tende a diminuir. Retornos mais competitivos da mandioca podem estimular produtores a substituir a cana-de-açúcar quando os canaviais de soca mais antigos precisarem ser renovados. A moagem de cana pode recuar de cerca de 95 milhões de toneladas em 2026/27 para entre 80 milhões e 90 milhões de toneladas em 2027/28. Considerando uma recuperação média de açúcar de 11%, a produção seria de aproximadamente 9,3 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda, a Czarnikow elevou suas projeções após incorporar revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o consumo norte-americano.
A estimativa de consumo global passou para 179,2 milhões de toneladas em 2026/27 e 179,9 milhões de toneladas em 2027/28. Apesar da revisão positiva, o crescimento da demanda mundial permanece moderado, limitado pelos preços elevados dos alimentos, pela reformulação de produtos pela indústria, pela maior preocupação com saúde e pelo avanço dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados para controle de peso. Os estoques acumulados durante o grande superávit da safra 2025/26 devem oferecer alguma proteção ao mercado no curto prazo. Entretanto, a ocorrência de déficits consecutivos em 2026/27 e 2027/28 tende a reduzir essa reserva e aumentar a exposição do mercado a eventos climáticos adversos e a novas revisões negativas nas estimativas de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.