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14/Aug/2026

Etanol: preços podem subir com reação da demanda

O BTG Pactual avalia que os preços do etanol no Brasil podem subir no curto prazo, após recuo de quase 30% desde abril, diante de sinais de recuperação da demanda em razão da maior competitividade do biocombustível ante a gasolina. O comportamento dos estoques indica que o aumento sazonal da oferta pode ter perdido força antes do esperado. Os estoques de etanol permaneceram praticamente estáveis na última quinzena, em um período do ciclo de produção em que normalmente deveriam apresentar crescimento. A relação entre estoques e consumo encerrou julho em 14,2%, abaixo da média histórica de 20% e apenas acima dos 13,6% registrados em 2025. Em junho, a relação estava em 11,8%, também inferior à média das últimas dez safras, de 14%.

A maior competitividade do etanol nas bombas é apontada como principal fator para a mudança no comportamento da demanda. O biocombustível acumula 154 dias com preço competitivo ante a gasolina, enquanto a paridade chegou a 57% em São Paulo, menor nível desde 2018. O BTG estima que os consumidores levem cerca de 100 dias para reagir integralmente a mudanças mais relevantes na relação de preços entre os combustíveis. Para que a paridade retorne ao nível observado no ano passado, o preço do etanol na usina teria de subir R$ 0,35 por litro, de R$ 2,20 para R$ 2,55 por litro. O banco, contudo, não descarta uma valorização superior, com os preços podendo ultrapassar temporariamente o nível necessário para reequilibrar oferta e demanda.

A eventual recuperação do etanol representa um catalisador de curto prazo para as empresas do setor. Para cada aumento de R$ 0,10 por litro nos preços do etanol, o Ebit anual de São Martinho, Jalles, Adecoagro e 3tentos aumenta, em média, 7,5%. Individualmente, o impacto estimado de uma alta de R$ 0,10 por litro seria de R$ 113 milhões no Ebit da São Martinho, R$ 56 milhões na Adecoagro, R$ 42 milhões na Jalles e R$ 39 milhões na 3tentos. Esses valores equivalem, respectivamente, a 9,2%, 3,0%, 15,8% e 2,1% das estimativas de Ebit das companhias. O BTG Pactual considera que uma inflexão dos preços do etanol seria um fator positivo de curto prazo para as ações das empresas expostas à commodity. Papéis ligados a commodities tendem a reagir às mudanças nos preços dos produtos subjacentes, o que abre espaço para uma reação positiva das ações em caso de recuperação do etanol. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.