13/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (12/08), interrompendo uma sequência de seis sessões consecutivas de valorização, em movimento de realização de lucros e correção técnica. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, recuou 31 pontos, ou 1,85%, e fechou a 16,42 centavos de dólar por libra-peso. A realização de lucros, a acomodação dos preços no mercado de energia, o fortalecimento do dólar e o ritmo mais cadenciado da demanda física determinaram a pressão vendedora no mercado internacional. O petróleo WTI recuou 0,52%, ou US$ 0,46, para US$ 88,91 por barril, reduzindo temporariamente o suporte à paridade teórica do biocombustível em relação à gasolina. No mercado físico internacional, grandes compradores, como China e Indonésia, mantêm postura cautelosa em relação a novas aquisições. A programação de embarques nos portos brasileiros, o line-up, soma 1,495 milhão de toneladas, queda de 48,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O cenário é consistente com os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que indicaram recuo de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcares em julho, para 2,992 milhões de toneladas. A pressão baixista, contudo, foi limitada por sinais de redução da oferta em importantes regiões produtoras e pela cobertura de posições dos fundos. No Brasil, as condições da cana-de-açúcar indicam possibilidade de revisão para baixo das estimativas de produção de açúcar no Centro-Sul, diante da queda acelerada do nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), atribuída ao excesso de chuvas registrado anteriormente e que limita a conversão da matéria-prima em açúcar. Os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) reforçam esse cenário. A produção de açúcar no Centro-Sul recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, enquanto o acumulado do ciclo atingiu 10,754 milhões de toneladas, queda de 12,4%. No mercado internacional, a S&P Global Energy projeta que a seca na Europa reduzirá a produção regional de açúcar para 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos.
Na Índia, a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim estima que os estoques de passagem em 1º de outubro recuarão para 3,5 milhões de toneladas, o menor nível em três décadas, em meio ao risco de déficit de chuvas das monções. Até 10 de agosto, o déficit era de 12%, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD). No Brasil, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para E32, com 32% de anidro, também contribui para sustentar o mercado de açúcar ao ampliar a demanda por etanol. O Bradesco estima que a medida adicionará 633 milhões de litros à demanda por etanol no ciclo 2026/27, enquanto o Citi calcula impacto de até 1 bilhão de litros em base anualizada. As projeções de déficit no mercado mundial de açúcar também oferecem suporte às cotações. Estimativas indicam déficit de 3,3 milhões de toneladas pela Green Pool Commodity Specialists; 1,85 milhão de toneladas pela Datagro; 1,7 milhão de toneladas pela StoneX; 1,3 milhão de toneladas pelo Citi; 700 mil toneladas pelo Itaú BBA; 300 mil toneladas pela Covrig Analytics; 262 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar (ISO); e 100 mil toneladas pela Czarnikow.