13/Aug/2026
A equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva mantém como objetivo retirar os subsídios concedidos aos combustíveis em razão da guerra envolvendo o Irã, mas considera que a elevada volatilidade do cenário impede, neste momento, a continuidade do processo de retirada. A intenção é encerrar as medidas assim que as condições permitirem, deixando claro ao mercado que as subvenções foram adotadas de forma pontual e não deverão ser mantidas após a redução das incertezas relacionadas ao conflito. Integrantes do governo já sinalizaram a distribuidoras, à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e à Petrobras que os subsídios serão retirados assim que possível. A orientação é preparar o setor para o fim das medidas e evitar a expectativa de que os benefícios sejam permanentes. A intenção, neste momento, é permitir que a Medida Provisória (MP) nº 1.358/2026, que autoriza as subvenções para diesel e gasolina, perca validade em 9 de setembro.
Sem a MP em vigor, novas subvenções não poderiam ser mantidas. A proposta está em tramitação no Congresso Nacional, que poderá analisá-la e convertê-la em lei ou permitir a perda de validade. Apesar da intenção da equipe econômica, a avaliação interna considera que o intervalo até 9 de setembro ainda é suficiente para que o cenário do conflito se altere. A volatilidade observada nos preços do petróleo e nas perspectivas para o fim da guerra mantém aberta a possibilidade de mudança na necessidade de manutenção dos subsídios até a data de vencimento da MP. No caso do diesel, a principal preocupação relacionada à manutenção das subvenções está concentrada no abastecimento e nos potenciais efeitos inflacionários indiretos de uma elevação dos preços. Na gasolina, o impacto está mais associado à percepção da população sobre o governo, diante do risco de uma alta expressiva dos preços provocada por fatores externos relacionados à guerra.
A perda de validade da MP ocorrerá a menos de um mês do primeiro turno da eleição, o que pode ampliar as pressões políticas em torno da decisão de permitir que os preços dos combustíveis voltem a ser determinados integralmente pelas condições de mercado. A incerteza sobre uma solução para o conflito aumentou nos últimos dias diante de exigências do Irã consideradas rígidas, entre elas a retirada de forças norte-americanas, a suspensão de sanções e a liberação de ativos iranianos congelados. O ambiente de tensão também foi reforçado por novos episódios na região, incluindo a acusação dos Emirados Árabes Unidos de ataque com míssil contra um de seus navios. A retirada dos subsídios poderá ser retomada caso o petróleo permaneça próximo de US$ 75,00 por barril, nível que, convertido para reais, seria semelhante ao observado antes do início da guerra envolvendo o Irã. Ainda assim, a equipe econômica mantém cautela diante da elevada volatilidade do mercado internacional de petróleo e da indefinição sobre a evolução do conflito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.