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12/Aug/2026

Açúcar: futuros em alta pelo 6º pregão consecutivo

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta terça-feira (11/08) na Bolsa de Nova York, estendendo o rali pelo sexto pregão consecutivo e atingindo a maior cotação de fechamento para o contrato em dez meses. O vencimento outubro avançou 26 pontos, ou 1,58%, e fechou a 16,73 centavos de dólar por libra-peso. A alta do petróleo no exterior, a confirmação de menor produção no Brasil e na Europa, a forte redução das posições vendidas dos fundos especulativos e os alertas sobre o aperto dos estoques da Índia aceleraram as compras no mercado. O petróleo WTI avançava 0,95%, ou US$ 0,83, para US$ 87,72 por barril, reforçando a paridade teórica do biocombustível nas bombas brasileiras. O movimento ocorre em paralelo ao início da vigência do E32, com 32% de etanol anidro na gasolina no Brasil, que deverá adicionar 633 milhões de litros à demanda no ciclo 2026/27, segundo estimativa do Bradesco, podendo alcançar 1 bilhão de litros em base anualizada, conforme projeção do Citi.

Pelo lado da oferta, o mercado continua absorvendo os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram queda de 26,3% na produção de açúcar do Centro-Sul em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas. No acumulado do ciclo, a fabricação soma 10,754 milhões de toneladas, recuo de 12,4%, com mix de produção destinado ao etanol em 57,48%. Na Europa, dados da S&P Global Energy indicam que a seca e o calor atípicos na União Europeia e no Reino Unido devem reduzir a produção regional de açúcar para 14,98 milhões de toneladas, menor nível em 11 anos. No mercado financeiro, relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), referente a 4 de agosto, apontou que a posição líquida vendida dos fundos especulativos caiu para 91.831 lotes, ante quase 120 mil contratos no levantamento anterior. Segundo avaliações de Michael McDougall e da Archer Consulting, ainda há espaço para recompras técnicas adicionais por parte das gestoras diante do fluxo de notícias favoráveis aos preços relacionados à oferta mundial.

Na Ásia, a Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim estima que os estoques de passagem da Índia em 1º de outubro cairão para 3,5 milhões de toneladas, menor nível em mais de três décadas. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) mantém alertas de chuvas de monções abaixo da média histórica até setembro, com déficit acumulado de 12% até 10 de agosto, aumentando o risco de o país voltar ao mercado internacional como importador. O cenário de menor disponibilidade também é respaldado pelo índice da FAO, que registrou alta de 5,6% nos preços globais do açúcar em julho, e por revisões de déficit mundial para o ciclo 2026/27. As estimativas são de déficit de 3,3 milhões de toneladas pela Green Pool Commodity Specialists, 1,85 milhão de toneladas pela Datagro, 1,7 milhão de toneladas pela StoneX, 1,3 milhão de toneladas pelo Citi, 700 mil toneladas pelo Itaú BBA, 300 mil toneladas pela Covrig Analytics, 262 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar (ISO) e 100 mil toneladas pela Czarnikow.

Por outro lado, ganhos mais expressivos foram limitados pelo fortalecimento do dólar no Brasil, pelo ritmo mais lento da demanda externa e pela redução do fluxo de embarques na origem. O dólar comercial avançava 0,97%, para R$ 5,11, estimulando a fixação de vendas em moeda local pelas usinas brasileiras. Na comercialização internacional, StoneX, Bradesco e Vesper destacam em relatórios que grandes compradores, como China e Indonésia, mantêm postura cautelosa em relação a novas aquisições. A programação de embarques nos portos brasileiros, medida pelo line-up, soma 1,495 milhão de toneladas, retração de 48,9% ante igual período do ano passado. O movimento está alinhado aos dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que apontaram queda de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcar em julho, para 2,992 milhões de toneladas.