11/Aug/2026
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco abriram agosto em elevação no mercado à vista, alcançando o patamar de R$ 96,00 por saca de 50 Kg, que não era registrado desde meados de maio. O Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180) tem média de R$ 93,02 por saca de 50 Kg, alta de 0,67% nos últimos sete dias (R$ 92,39 por saca de 50 Kg). A liquidez está maior, com mais negócios fechados, ainda que os compradores tenham preservado postura seletiva, atentos aos patamares crescentes dos preços tanto no mercado interno quanto no internacional. No plano doméstico, um dos fatores altistas é a mais recente divulgação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontou retração na produção de açúcar na região Centro-Sul. Mesmo diante do maior volume de cana-de-açúcar processada e de matéria-prima de qualidade levemente superior, a fabricação do açúcar somou 10,75 milhões de toneladas desde o início da safra até 1º de julho, recuo de 12,38% em relação a igual período do ciclo anterior.
A explicação está no redirecionamento da moagem para o mix alcooleiro: no mesmo intervalo, a produção de etanol totalizou 11,37 bilhões de litros, avanço de 20,44%, dos quais 2,39 bilhões de litros são provenientes do milho (+9,96%). O contraste é significativo: as usinas que dispõem de mais cana têm optado por converter sacarose em combustível, e não em açúcar, comprimindo a oferta do adoçante e sustentando os preços. Quanto ao clima, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou na semana passada o segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, que indica intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre e probabilidade elevada de que alcance a categoria "muito forte" entre a primavera e o início do verão no Brasil. O documento aponta risco maior de eventos extremos, embora com maior força nas Regiões Sul e Norte do País. Para o Centro-Sul, a leitura predominante segue sendo a de chuvas mais frequentes no segundo semestre, o que tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais, ainda que possa atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR.
Essa combinação, ao adiar a recuperação de açúcar na cana, tende a reforçar o viés de sustentação dos preços no curto prazo. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York também estão reagindo diante da perspectiva de menor produção global de açúcar, acentuada por problemas climáticos em importantes regiões produtoras. O contrato com vencimento em outubro/26 está cotado a 16,45 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor dos últimos dez meses. Nos últimos sete dias, a alta é de 12,21%. Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o menor volume de chuva de monções e a previsão de precipitações abaixo da média em agosto e setembro pelo Departamento Meteorológico da Índia (IMD) acentuaram as preocupações com a produção indiana de açúcar. Já se cogita a possibilidade de a Índia precisar importar a commodity ainda neste ano.
Na Europa, o forte calor e o longo período de seca vêm prejudicando a produtividade em algumas regiões produtoras de açúcar no continente. Segundo a previsão da Associação de Produtores de Beterraba Sacarina da Alemanha, a produção de açúcar no sul do país será um terço menor do que no ano passado. Essas quebras, associadas à menor produção no Centro-Sul brasileiro, têm dado sustentação aos preços no mercado internacional. Na Bolsa de Nova York, o contrato Outubro/26 está cotado a 15,44 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 6,19% nos últimos sete dias. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,83 por saca de 5 Kg, elevação de 1,53% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,60 por saca de 1 Kg, 0,88% maior no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.