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11/Aug/2026

Açúcar: petróleo e oferta impulsionam preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (10/08), estendendo os ganhos pela quinta sessão consecutiva e alcançando a maior cotação de fechamento para o primeiro vencimento em dez meses. O contrato outubro, referência atual e de maior liquidez, avançou 2 pontos, ou 0,12%, e fechou a 16,47 centavos de dólar por libra-peso. A alta das cotações internacionais do petróleo, a continuidade dos efeitos dos dados operacionais divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as estimativas de redução da produção de açúcar na Europa e os alertas relacionados às monções na Índia sustentaram o movimento de valorização. O petróleo WTI avançava 4,06%, ou US$ 3,39, para US$ 83,55 por barril, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A valorização do petróleo eleva a paridade teórica do etanol nas bombas brasileiras e pode estimular as usinas a direcionarem maior volume de matéria-prima para o biocombustível, em detrimento da produção de açúcar. No Brasil, o mercado continua incorporando a confirmação de menor produção de açúcar no Centro-Sul. Dados da Unica mostraram queda de 26,3% na fabricação de açúcar em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas. No acumulado do ciclo, a produção recuou 12,4%, para 10,754 milhões de toneladas, enquanto o mix de produção destinado ao etanol alcançou 57,48%. Na Europa, dados da S&P Global Energy indicam que a combinação de seca e temperaturas elevadas na União Europeia e no Reino Unido deve reduzir a produção regional de açúcar para 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos. O cenário reforça as preocupações com a disponibilidade global do produto e contribui para a sustentação das cotações internacionais.

Na Índia, o Departamento Meteorológico da Índia (IMD) manteve os alertas de chuvas de monções abaixo da média histórica até setembro. O cenário aumenta a possibilidade de o país voltar ao mercado internacional como importador e favorece a cobertura de posições vendidas na Commodity Futures Trading Commission (CFTC). O ambiente de menor oferta também é respaldado pelo índice da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que registrou alta de 5,6% no preço global do açúcar em julho. Estimativas de déficit mundial apontam diferenças relevantes entre as consultorias e instituições, com projeções de 3,3 milhões de toneladas pela Green Pool Commodity Specialists, 1,85 milhão de toneladas pela Datagro, 1,7 milhão de toneladas pela StoneX, 1,3 milhão de toneladas pelo Citi, 700 mil toneladas pelo Itaú BBA, 300 mil toneladas pela Covrig Analytics, 262 mil toneladas pela Organização Internacional do Açúcar (ISO) e 100 mil toneladas pela Czarnikow.

A valorização do açúcar, contudo, foi limitada pelo fortalecimento global do dólar e pela demanda externa ainda moderada. No comércio internacional, consultorias como StoneX, Bradesco e Vesper avaliam que grandes compradores, entre eles China e Indonésia, mantêm ritmo cauteloso de novas aquisições no mercado físico. O comportamento da demanda ocorre em um cenário no qual os dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam embarques de 2,992 milhões de toneladas. Na Ásia, o IMD informou que o déficit acumulado das monções alcançou 12% abaixo da média histórica até 10 de agosto, melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho. No horizonte climático de longo prazo, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño de intensidade muito forte até setembro.