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11/Aug/2026

Raízen: crise não gerou risco sistêmico no mercado

Segundo avaliação da S&P Global Ratings, a crise financeira da Raízen afetou a percepção de risco de crédito no mercado brasileiro, mas não provocou efeito sistêmico sobre outras empresas do agronegócio. O caso foi considerado um evento relevante para o mercado de crédito e trouxe questionamentos sobre governança e tratamento de credores. A Raízen passou por uma sequência de rebaixamentos de sua classificação de crédito em 2026. Em fevereiro, a S&P reduziu a nota de BBB- para CCC+, retirando a companhia do grau de investimento. Em 6 de março, o rating caiu novamente, para CCC-. Em 11 de março, cinco dias depois, a classificação foi reduzida para SD, ou default seletivo, após a companhia solicitar recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

A classificação SD indica que uma empresa deixou de cumprir parte de suas obrigações financeiras. A crise também colocou em evidência questões relacionadas à governança e ao tratamento dos credores. Decisões que afetam os direitos dos credores podem reduzir a confiança dos investidores e prejudicar a percepção sobre as condições de crédito e de realização de negócios no Brasil. Durante o processo de deterioração financeira, a S&P Global Ratings apontou fatores como elevada alavancagem, queima de caixa, despesas financeiras elevadas e desempenho mais fraco nas operações de açúcar e etanol como elementos que contribuíram para a piora da situação financeira da Raízen. Apesar da relevância do caso, a deterioração da percepção de crédito não se disseminou de forma generalizada para outras empresas do agronegócio.

O mercado tratou a crise como um evento concentrado na Raízen, sem identificar risco sistêmico para o agronegócio brasileiro. A recuperação extrajudicial avançou nos meses seguintes, com adesão de mais de 80% dos créditos sujeitos à reestruturação. O plano foi homologado pela Justiça em julho, permitindo o avanço do processo de reorganização financeira da companhia. O episódio reforça a importância de transparência, governança e previsibilidade para empresas que dependem do mercado de capitais. Esses fatores ganham relevância especialmente em setores com elevada necessidade de capital e exposição às oscilações de preços de commodities, custos financeiros e condições de crédito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.