10/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em forte alta na sexta-feira (07/08) na Bolsa de Nova York, dando continuidade ao rali das últimas sessões e atingindo a maior cotação de fechamento em dez meses. O vencimento outubro, referência atual e mais líquido, avançou 88 pontos (5,65%), e fechou a 16,45 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado pela combinação de dados operacionais do Centro-Sul do Brasil, estimativas de forte queda na produção de açúcar na Europa, alertas de seca na Índia e intensificação da recomposição de posições vendidas por fundos especulativos. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro recuou 26,3% em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas, enquanto o mix da matéria-prima destinado ao etanol alcançou 57,48%. Na Europa, estimativas da S&P Global Energy indicam que a seca e as temperaturas elevadas na União Europeia e no Reino Unido devem reduzir a produção regional de açúcar para 14,98 milhões de toneladas em 2026, o menor volume desde 2015.
Na Índia, o Departamento Meteorológico da Índia (IMD) manteve a previsão de chuvas de monções abaixo da média entre agosto e setembro, elevando a possibilidade de o país, segundo maior produtor mundial, voltar ao mercado internacional como importador. O cenário estimulou a cobertura de posições vendidas na Commodity Futures Trading Commission (CFTC). No mercado financeiro, o enfraquecimento do dólar no exterior e a valorização do Real também favoreceram as commodities agrícolas. O petróleo WTI subiu 1,35%, para US$ 82,49 por barril, reforçando a paridade econômica do etanol. A demanda adicional de etanol também contribui para o cenário de sustentação do açúcar. A vigência do E32, com 32% de etanol anidro na gasolina, deverá acrescentar 633 milhões de litros à demanda no ciclo 2026/27, segundo estimativa do Bradesco. Em base anualizada, o incremento pode chegar a 1 bilhão de litros, conforme projeção do Citi. As estimativas de déficit global para o ciclo 2026/27 reforçam a percepção de aperto estrutural da oferta.
A Green Pool Commodity Specialists projeta déficit de 3,3 milhões de toneladas, enquanto Datagro estima 1,85 milhão de toneladas; StoneX, 1,7 milhão de toneladas; Citi, 1,3 milhão de toneladas; Itaú BBA, 700 mil toneladas; Covrig Analytics, 300 mil toneladas; Organização Internacional do Açúcar (ISO), 262 mil toneladas; e Czarnikow, 100 mil toneladas. Por outro lado, a demanda externa ainda moderada no curto prazo e a redução dos embarques brasileiros limitaram ganhos ainda mais expressivos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 2,992 milhões de toneladas de açúcares e melaços em julho, queda de 16,6% ante igual mês de 2025. Compradores relevantes, como China e Indonésia, também mantêm ritmo mais cauteloso de novas aquisições no mercado físico, segundo avaliações da StoneX, Bradesco e Vesper. Na Ásia, apesar dos alertas para o período de agosto e setembro, o IMD informou que o déficit acumulado das monções havia recuado para 11% abaixo da média histórica até 7 de agosto, ante déficit de 42% registrado no fim de junho.