10/Aug/2026
A linha de financiamento criada pelo governo para permitir a taxistas e motoristas de aplicativos a troca de veículos com juros mais baixos enfrenta dificuldades relacionadas à análise de crédito e à adaptação dos sistemas bancários. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras, avalia, contudo, que os entraves podem ser superados à medida que as instituições financeiras adquirirem experiência com a operação. O principal gargalo para a contratação dos financiamentos de veículos leves não está na disponibilidade de recursos, mas na avaliação de risco e na definição das garantias. Entre os fatores considerados pelos bancos estão a pontuação de crédito, a comprovação de renda e o histórico de relacionamento dos clientes com as instituições financeiras. O programa conta com R$ 30 bilhões em recursos, mas, até o fim de julho, apenas R$ 2,2 bilhões, equivalentes a 7,3% do total, haviam sido utilizados, conforme balanço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para ampliar a liberação dos recursos pelas instituições financeiras até 15 de setembro, prazo final para contratação dos financiamentos, o governo aportou mais R$ 1 bilhão, no início de agosto, no fundo garantidor responsável por cobrir até 80% do risco das operações do programa. Além das dificuldades relacionadas ao risco de crédito, a Anfavea identifica entraves operacionais na estruturação das operações. Os bancos ligados às montadoras estão mais habituados ao crédito direto ao consumidor e precisam adaptar seus sistemas para operar com recursos repassados pelo BNDES. O modelo exige uma interface específica entre as instituições financeiras e o banco de fomento, aumentando o tempo de processamento das operações. Esse processo envolve uma etapa de aprendizado para as instituições e para os vendedores de veículos, o que explica parte da morosidade observada na contratação dos financiamentos.
A Anfavea utiliza como referência o desempenho da linha do programa Move Brasil destinada à aquisição de caminhões. O financiamento também enfrentou dificuldades no início de sua implementação, mas ganhou velocidade posteriormente, após a adaptação dos participantes ao novo modelo de operação, a melhora das condições de financiamento e a ampliação do orçamento de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões. No primeiro mês de funcionamento da linha para caminhões, as vendas foram praticamente paralisadas em razão das dificuldades de adaptação ao novo modelo de contratação. No segundo mês, entretanto, quase todo o volume disponibilizado foi utilizado em 50 dias. A expectativa é que processo semelhante ocorra com a linha destinada aos motoristas de aplicativos e taxistas, à medida que os bancos ajustem seus sistemas, aprimorem os procedimentos de análise de crédito e ampliem a capacidade de contratação dos financiamentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.