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07/Aug/2026

Açúcar: produção menor no Brasil eleva os futuros

Os contratos futuros do açúcar demerara encerraram a sessão desta quinta-feira (06/08) na Bolsa de Nova York em forte alta, ampliando o movimento comprador das últimas sessões e levando o contrato de maior liquidez ao maior patamar em mais de quatro meses. O vencimento outubro avançou 42 pontos, ou 2,77%, e fechou a 15,57 centavos de dólar por libra-peso. O mercado foi sustentado, principalmente, pelos dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram redução de 26,3% na produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil em junho, para 3,90 milhões de toneladas na comparação anual. O desempenho refletiu menor rendimento industrial e maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol, reduzindo a oferta disponível de açúcar.

No cenário internacional, persistem preocupações com o clima na Índia. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) manteve a previsão de chuvas de monções abaixo da média entre agosto e setembro, aumentando os riscos para a safra do segundo maior produtor mundial. Apesar disso, o déficit acumulado de precipitações até 5 de agosto foi reduzido para 11% abaixo da média histórica, após alcançar 42% no fim de junho, fator que limitou parte da valorização das cotações. Outro elemento de sustentação foi a forte alta do petróleo. O contrato WTI avançou 4,29%, ou US$ 3,41 por barril, encerrando a US$ 79,45 por barril, fortalecendo a competitividade do etanol frente à gasolina. No Brasil, esse movimento é reforçado pela adoção da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), em vigor desde 1º de agosto.

Estimativas do Bradesco indicam aumento de 633 milhões de litros na demanda por etanol durante a safra 2026/27, enquanto o Citi projeta impacto potencial de até 1 bilhão de litros em base anualizada. O sentimento altista também continua sendo sustentado pelas projeções de déficit no mercado mundial de açúcar para a safra 2026/27. As estimativas variam entre 100 mil toneladas, segundo a Czarnikow, e 3,3 milhões de toneladas, conforme a Green Pool Commodity Specialists. Também projetam déficit Covrig Analytics (300 mil toneladas), ISO (262 mil toneladas), Itaú BBA (700 mil toneladas), Citi (1,3 milhão de toneladas), StoneX (1,7 milhão de toneladas) e Datagro (1,85 milhão de toneladas). Apesar da forte valorização, os ganhos foram parcialmente limitados pela recuperação das chuvas na Ásia, pelo fortalecimento do dólar frente a outras moedas e por sinais de demanda internacional mais moderada.