07/Aug/2026
Os dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) para junho reforçam a expectativa de uma produção menor de açúcar no Centro-Sul do Brasil, mas ainda não modificam o cenário de superávit global no curto prazo nem a perspectiva de demanda internacional enfraquecida. A combinação de chuvas, menor ritmo de moagem e redução do mix açucareiro limitou a produção de açúcar na região. Ainda assim, a projeção de mix destinada ao açúcar, estimada em 46,1%, e a produção de 38,7 milhões de toneladas na safra permanecem insuficientes para alterar o quadro de ampla oferta mundial. A StoneX mantém projeção de superávit global de 2,9 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2025/26 (outubro a setembro) e avalia que o mercado internacional continuará bem abastecido ao longo do terceiro trimestre de 2026. A demanda permanece retraída e que, mesmo com menor produção no Centro-Sul, o Brasil continuará disponibilizando volumes confortáveis ao mercado internacional.
Entre os fatores que sustentam essa avaliação estão o line-up de exportações nos portos brasileiros abaixo da média histórica e os elevados descontos do açúcar VHP negociado no Porto de Santos (SP). Os números divulgados pela Unica ficaram dentro das expectativas do mercado. O aumento das chuvas ao longo da safra já havia sido incorporado às projeções e, embora tenha provocado atrasos na colheita, também favoreceu a produtividade agrícola. Da mesma forma, a redução do mix açucareiro não altera a tendência predominante para o mercado internacional. Os dados mostram que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul alcançou 10,75 milhões de toneladas, volume 12,4% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. A moagem acumulada em junho totalizou 69,8 milhões de toneladas, queda de 15% na comparação anual, reflexo das chuvas que provocaram perda média de sete dias de colheita durante o mês. No mercado de etanol, o cenário permanece desafiador, especialmente para o hidratado.
As vendas domésticas somaram apenas 1,8 bilhão de litros em junho, enquanto a redução dos preços nas usinas não foi suficiente para estimular o consumo. Além disso, os estoques de etanol hidratado na primeira quinzena de julho estavam 1 bilhão de litros acima do registrado no mesmo período do ano passado e 7,4% superiores à média dos últimos cinco anos, indicando manutenção do excedente ao longo da safra. Para os próximos meses, o comportamento do clima continuará sendo o principal fator de monitoramento. Novas chuvas em agosto podem prolongar a moagem até dezembro, enquanto precipitações acima da média entre outubro e novembro poderão fazer com que parte da cana permaneça no campo para colheita apenas no início da safra 2027/28. Mesmo assim, a consultoria considera que esse cenário não deverá provocar valorização expressiva dos contratos de açúcar na Bolsa de Nova York, diante do contexto de superávit global e dos fundamentos mais baixistas observados no Hemisfério Norte. Apesar desse cenário estrutural, os contratos futuros reagiram positivamente à divulgação dos dados da Unica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.