07/Aug/2026
Segundo estudo do Centro de Política de Risco Agrícola da Universidade Estadual da Dakota do Norte (NDSU), a combinação entre custos elevados de produção, impactos climáticos adversos e aumento das importações de açúcar fora das cotas provocou prejuízos acumulados de aproximadamente US$ 3 bilhões aos produtores de cana-de-açúcar e beterraba açucareira dos Estados Unidos nas duas últimas safras. A entrada elevada de açúcar estrangeiro submetido à tarifa de segundo nível, conhecida como ‘high-tier’ ou ‘tier-2’, intensificou a pressão negativa sobre os preços domésticos norte-americanos. A pesquisa utilizou modelos de análise econômica para medir os efeitos das importações sobre os produtores locais e concluiu que o excesso de oferta externa foi o principal fator de redução das cotações recebidas pelos agricultores.
O cenário tem reduzido as margens operacionais das usinas de cana-de-açúcar e das unidades processadoras de beterraba açucareira nos Estados Unidos, em um momento de custos produtivos elevados e menor rentabilidade para o setor. A pressão sobre o mercado interno ocorre em meio ao maior estoque inicial de açúcar já registrado nos Estados Unidos para o ano fiscal de 2026, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A administração do programa de açúcar da agência informou que os mecanismos tradicionais de controle de mercado perderam eficiência porque a tarifa de alto nível foi estabelecida em 2000 e deixou de exercer efeito restritivo diante da atual estrutura econômica. Com a defasagem da tarifa, o governo norte-americano enfrenta limitações para restringir a entrada contínua de açúcar importado fora das cotas preferenciais, mesmo diante dos elevados estoques internos.
Representantes da indústria de alimentos e confeitaria destacam que a manutenção de uma cadeia produtiva doméstica fortalecida é fundamental para garantir oferta estável de açúcar para o mercado consumidor. O setor avalia que a competitividade industrial não tem sido prejudicada pelos preços internos e que não há evidências recentes de transferência de operações de fabricantes de doces para outros países em busca de custos menores. A indústria ressalta que o açúcar continua sendo um insumo estratégico para diferentes aplicações, incluindo funções como conservante, aromatizante e regulador de acidez, o que mantém a necessidade de uma cadeia de fornecimento nacional estruturada e menos dependente das oscilações do mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.