06/Aug/2026
Segundo o Projeto Campo Futuro, levantamento realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o custo total médio da produção de cana-de-açúcar superou a receita obtida pelos produtores em sete das oito regiões do Centro-Sul. Os dados consideram o período até junho da safra 2026/27, iniciada em abril de 2026. O custo total médio alcançou R$ 162,00 por tonelada, enquanto a receita média ficou em R$ 130,00 por tonelada, resultando em um resultado econômico negativo de R$ 32,04 por tonelada na média das regiões avaliadas. O Custo Operacional Efetivo (COE) médio foi estimado em R$ 77,00 por tonelada. A produtividade média das áreas acompanhadas foi de 81 toneladas por hectare, com teor médio de Açúcar Total Recuperável (ATR) de 127 quilos por tonelada e preço médio do ATR de R$ 1,0709 por quilo.
A única região a apresentar resultado econômico positivo foi Nova Olímpia (MT), com margem de R$ 2,00 por tonelada. A localidade registrou produtividade de 75 toneladas por hectare, ATR de 134 quilos por tonelada, receita de R$ 144,72 por tonelada e custo total de R$ 142,53 por tonelada. O pior desempenho foi registrado em Araraquara (SP), onde o resultado econômico ficou negativo em R$ 58,34 por tonelada. A região apresentou produtividade de 75 toneladas por hectare, ATR de 120 quilos por tonelada, receita de R$ 126,00 por tonelada e custo total de R$ 184,34 por tonelada. Em Barretos (SP), apesar da maior produtividade entre as regiões analisadas, de 90 toneladas por hectare, o resultado também foi negativo. A localidade apresentou ATR de 135 quilos por tonelada e receita de R$ 145,80 por tonelada, mas o custo total de R$ 197,42 por tonelada gerou prejuízo de R$ 52,05 por tonelada.
O resultado foi influenciado pela longevidade dos canaviais, com quatro cortes realizados, e pelo aumento do raio médio de transporte para 35 quilômetros. Em Nova Alvorada do Sul (MS), o Custo Operacional Efetivo alcançou R$ 131,98 por tonelada, acima da receita média de R$ 127,40 por tonelada. Nas demais regiões acompanhadas, os resultados econômicos foram negativos em Batatais (SP), com -R$ 21,00 por tonelada; Penápolis (SP), com -R$ 12,00 por tonelada; Cianorte (PR), com -R$ 30,00 por tonelada; e Pirassununga (SP), com -R$ 34,00 por tonelada. Para a safra 2026/27, a CNA projeta aumento da moagem de cana-de-açúcar no País. No mercado de etanol, a maior disponibilidade do biocombustível e o avanço da produção a partir do milho devem limitar altas de preços. Para o açúcar, a entidade avalia que a expansão da oferta global tende a manter as cotações em patamares moderados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.