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05/Aug/2026

Cana remove mais carbono que estimativas globais

Pesquisadores da Embrapa e colaboradores desenvolveram uma metodologia específica para estimar os estoques de carbono na biomassa da cana-de-açúcar cultivada no Brasil, indicando que a cultura pode remover mais carbono da atmosfera do que apontavam estimativas baseadas em parâmetros internacionais genéricos. O estudo, publicado na revista científica GCB Bioenergy, propõe um fator de conversão ajustado às condições brasileiras, considerando diferenças de solo, clima, produtividade agrícola e sistemas de manejo entre regiões e safras. A nova metodologia busca reduzir incertezas em avaliações relacionadas à mudança direta do uso da terra (DLUC), inventários de gases de efeito estufa, análises de ciclo de vida e políticas públicas de descarbonização. A equipe de pesquisadores revisou dados científicos sobre parâmetros de biomassa da cana-de-açúcar no Brasil e definiu o CFSUG, fator de carbono da biomassa da cana-de-açúcar, estimado em 0,133, com baixa margem de incerteza.

O indicador permite calcular o estoque de carbono a partir da produtividade da cultura, incorporando variações entre municípios, regiões produtoras e ciclos agrícolas. Com base na produtividade média nacional de dez anos, o estudo estimou que o estoque de carbono na biomassa da cana-de-açúcar no Brasil supera o valor de referência utilizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com menor nível de incerteza. A aplicação do novo fator às mudanças diretas do uso da terra associadas à expansão da cana entre 2000 e 2019 indicou balanço negativo de emissões, representando remoção líquida de carbono da atmosfera. A estimativa média apontou retirada de aproximadamente 4,8 milhões de toneladas de CO₂ por ano, com faixa de incerteza entre 9,1 milhões e 0,5 milhão de toneladas anuais.

Segundo o levantamento, 62% dos municípios produtores de cana-de-açúcar registraram remoção de carbono quando aplicado o novo método, proporção superior à observada em estudos anteriores baseados em valores padrão internacionais. O resultado reforça a importância do uso de dados regionalizados para avaliar com maior precisão os impactos ambientais da cultura. A metodologia pode ser aplicada em inventários nacionais de emissões, programas de certificação de biocombustíveis, avaliações de ciclo de vida e políticas voltadas à transição energética. O fator também pode ser atualizado conforme novas informações sobre produtividade e práticas de manejo sejam incorporadas. O estudo destaca que avaliações ambientais da cana-de-açúcar precisam considerar as características específicas dos sistemas produtivos brasileiros. A abordagem desenvolvida pode ainda servir de referência para outros países produtores de biomassa destinada à geração de energia. Fonte: Agro em Campo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.