05/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (04/08) em alta na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de valorização dos últimos dias e mantendo as cotações acima do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, avançou 0,20% (3 pontos), e fechou a 15,04 centavos de dólar por libra-peso, o maior nível em aproximadamente três semanas e meia. O mercado foi sustentado pela combinação de preocupações com o clima na Índia, pela recomposição de posições vendidas por fundos de investimento e pela revisão de estimativas que apontam déficit na oferta global de açúcar na safra 2026/27.
Na Índia, o Departamento Meteorológico (IMD) manteve a previsão de chuvas de monções abaixo da média entre agosto e setembro, aumentando as preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial. Até 3 de agosto, o acumulado de precipitações permanecia 12% inferior à média histórica, reforçando o risco de uma das temporadas mais secas dos últimos 11 anos. O cenário também recebeu suporte de novas revisões para o balanço mundial de açúcar. A Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A projeção soma-se às expectativas de déficit divulgadas por Green Pool Commodity Specialists (3,3 milhões de toneladas), Datagro (1,85 milhão de toneladas), StoneX (1,7 milhão de toneladas), Itaú BBA (700 mil toneladas), Organização Internacional do Açúcar (ISO) (262 mil toneladas) e Czarnikow (100 mil toneladas). No mercado financeiro, analistas destacam que a elevada posição líquida vendida dos fundos especulativos, estimada em cerca de 120 mil contratos, amplia o potencial de movimentos de recompra, favorecendo novas altas nas cotações. O mercado também acompanha os impactos da entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) no Brasil.
A medida, implementada em 1º de agosto, deverá elevar a demanda por etanol em aproximadamente 633 milhões de litros na safra 2026/27, fortalecendo a perspectiva para o setor sucroenergético. Por outro lado, fatores limitaram ganhos mais expressivos. Entre eles, destacam-se a forte queda das cotações internacionais do petróleo, o fortalecimento do dólar frente ao Real e o avanço da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. O petróleo WTI recuou 5,01%, reduzindo a competitividade relativa do etanol frente à gasolina. No mercado cambial, a valorização do dólar para R$ 5,08 favorece a comercialização antecipada de açúcar pelas usinas brasileiras.
Do lado da oferta, o clima seco registrado ao longo de julho favoreceu o ritmo da colheita no Centro-Sul e tende a elevar o mix açucareiro nas próximas divulgações da Unica. No consumo, China e Indonésia seguem com ritmo moderado de compras, enquanto dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram retração de 6,4% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas quatro primeiras semanas de julho, acompanhada por queda de 14,4% no preço médio de exportação. No cenário climático, permanece elevada a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño de forte intensidade, fator que continua sendo monitorado pelo mercado devido aos potenciais impactos sobre a produção global de açúcar.