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05/Aug/2026

Biometano: Brasil amplia produção com novas plantas

A capacidade instalada de produção de biometano no Brasil deve quadruplicar até 2032, impulsionada pela entrada em operação de 138 novas plantas já mapeadas. A projeção indica avanço de 657 milhões de metros cúbicos por ano em 2025 para 2,92 bilhões de metros cúbicos anuais ao fim do período. A expansão ocorre em meio ao aumento da busca por alternativas ao diesel no transporte de cargas, especialmente no agronegócio, diante da volatilidade do mercado internacional de petróleo, das oscilações cambiais e das incertezas sobre os custos logísticos. O Brasil possui potencial para produzir cerca de 43 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano, volume equivalente a aproximadamente 60% do consumo nacional de diesel.

A cadeia sucroenergética concentra a maior parcela desse potencial, com capacidade estimada em 21 bilhões de metros cúbicos anuais, seguida pela proteína animal, com 13 bilhões de metros cúbicos, pelos resíduos agrícolas, com 7 bilhões de metros cúbicos, e pelo setor de saneamento, com cerca de 3 bilhões de metros cúbicos. São Paulo deve liderar a expansão da oferta, favorecido pela concentração da indústria sucroenergética e pela disponibilidade de matéria-prima para geração do combustível renovável. O avanço do biometano também está relacionado à necessidade de maior previsibilidade nos custos de transporte. A logística rodoviária representa parcela significativa da movimentação de cargas do agronegócio brasileiro, e a instabilidade dos preços do diesel dificulta o planejamento financeiro de empresas e transportadoras.

Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem entre o preço do diesel no Brasil e a referência internacional alcança cerca de 58%. Mesmo sem repasse imediato aos consumidores, a diferença amplia a incerteza sobre os custos futuros de operação. A utilização do biometano pode reduzir a exposição das empresas às oscilações do petróleo, já que os contratos de fornecimento de gás natural e biometano costumam ter prazos mais longos e maior previsibilidade de preços. A adoção do combustível, contudo, exige planejamento operacional, incluindo disponibilidade regional da oferta, localização das plantas produtoras, infraestrutura de abastecimento, definição de rotas e adequação das frotas. Experiências em operações dedicadas já indicam viabilidade econômica.

Em uma parceria entre a LOTS Group e a usina Cocal, 44 caminhões movidos a biometano realizam desde março deste ano o transporte de vinhaça dentro das operações da companhia. O combustível é produzido pela própria usina, que também investiu na infraestrutura de abastecimento. A expansão da produção nacional tende a acelerar a substituição gradual do diesel em determinadas operações logísticas, principalmente em rotas recorrentes e de grande volume, nas quais a infraestrutura pode ser otimizada. Além da redução das emissões de carbono, o biometano ganha espaço como instrumento de gestão de risco, ao contribuir para maior previsibilidade dos custos de transporte e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis sujeitos às oscilações do mercado internacional. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.