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04/Aug/2026

Açúcar: cenário baixista para preços no curto prazo

O mercado internacional de açúcar permanece pressionado pelo excesso de oferta e pela demanda enfraquecida, cenário que continua limitando a recuperação das cotações na Bolsa de Nova York. Segundo a StoneX, o ambiente segue predominantemente baixista no curto prazo, embora exista a possibilidade de um aperto na oferta global no início de 2027, caso a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil fique abaixo das expectativas. O contrato outubro/2026 do açúcar demerara acumulou a terceira semana consecutiva de queda, refletindo uma deterioração gradual do sentimento do mercado. A combinação entre fundamentos físicos desfavoráveis e o posicionamento dos investidores reforça o viés negativo para as cotações. No mercado físico, os prêmios do açúcar VHP nos embarques pelo Porto de Santos (SP) voltaram a recuar, refletindo a dificuldade de absorção da oferta disponível pelo mercado internacional. Tradings enfrentam dificuldades para comercializar todo o volume destinado às exportações.

Esse movimento ocorreu em um momento em que a produção de açúcar passou a apresentar maior atratividade econômica em relação ao etanol hidratado em São Paulo, incentivando as usinas a ampliarem o direcionamento da cana-de-açúcar para o açúcar justamente em um ambiente de demanda internacional mais fraca. No mercado financeiro, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que, entre 21 e 28 de julho, os fundos ampliaram a posição líquida vendida para cerca de 120 mil contratos, indicando expectativa de manutenção da pressão sobre os preços no curto prazo. Na última revisão para a safra 2026/27 do Centro-Sul, a StoneX elevou a estimativa de moagem de cana-de-açúcar, mas reduziu o mix açucareiro para 46,1%. Com isso, a projeção de produção de açúcar foi reduzida de 40 milhões para 38,7 milhões de toneladas. Mesmo com essa revisão, a produção brasileira ainda será suficiente para manter o mercado global superavitário durante o terceiro e o quarto trimestres de 2026. Há espaço para nova redução do mix destinado ao açúcar, principalmente nos Estados da Região Centro-Oeste, embora esse movimento seja limitado pela capacidade de absorção do mercado doméstico de etanol.

Nesse contexto, os preços do etanol hidratado em Ribeirão Preto (SP) já recuaram para abaixo de R$ 2,55 por litro, com impostos, reduzindo o incentivo para direcionar volumes adicionais da cana ao biocombustível e sustentando a projeção de produção de 38,7 milhões de toneladas de açúcar. Apesar do cenário desfavorável no curto prazo, o balanço global poderá se tornar mais apertado no primeiro semestre de 2027. Uma produção próxima de 37,5 milhões de toneladas no Centro-Sul seria suficiente para tornar deficitário o fluxo global de açúcar bruto da safra 2026/27, reduzindo o ponto de equilíbrio anteriormente estimado. Caso esse cenário passe a ser incorporado pelos agentes de mercado ainda no último trimestre de 2026, poderá ocorrer antecipação da demanda e redução das posições vendidas dos fundos, especialmente após o vencimento do contrato outubro/2026. Ainda assim, essa hipótese dependerá da evolução da produção brasileira e permanece incerta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.