04/Aug/2026
Julho se encerrou com novas quedas nos preços mensais dos etanóis em São Paulo, devido principalmente ao alto volume de oferta de produto de São Paulo e de outros Estados que enviam o etanol até as principais bases de distribuição do Estado. Com isso, os estoques armazenados nos tanques já representam uma preocupação a vendedores. As usinas têm intensificado as atividades agrícolas em meio às boas condições climáticas (tempo seco e sem chuvas). A necessidade financeira de venda de algumas unidades produtoras também pesa no comportamento dos preços. Com postura mais agressiva, os negócios são fechados com mais descontos em algumas regiões produtoras, em função também do diferencial logístico.
Ao longo do mês passado, a quantidade vendida pelas unidades produtoras foi pontual e envolveu volumes reduzidos, com movimentação ligeiramente maior apenas no final de julho. De modo geral, as distribuidoras estiveram ausentes das compras. Ainda assim, o total de etanol hidratado comercializado pelas usinas de São Paulo ainda cresceu entre junho e julho: 2,4%. Quanto à média das semanas cheias do Indicador semanal CEPEA/ESALQ do etanol hidratado, foi de R$ 2,1356 por litro em julho, recuo de 4,51% no mesmo comparativo do período anterior. No caso do etanol anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 2,4364 por litro, retração de 3,71% no mesmo comparativo. Nesse cenário, alguns players consideram que os preços do açúcar cristal no mercado externo já são mais atrativos frente à comercialização do etanol no mercado interno.
Na última semana de julho, o contrato nº 11 de açúcar (Outubro/26) na Bolsa de Nova York oscilou na casa dos 14,00 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os demais vencimentos (Março/27, Maio/27, Julho/27 e Outubro/27) ficaram acima dos US$ 15,00 centavos de dólar por libra-peso. Nos últimos sete dias, especificamente, o ritmo de negócios em São Paulo está um pouco mais aquecido, com distribuidoras adquirindo volumes maiores. A maior demanda reflete as compras fechadas para atender à demanda de agosto, com o retorno das aulas. Mas, ainda assim, o comportamento do comprador é de cautela. Do lado das usinas, o interesse de vendas é reduzido. A concentração de negócios ocorre em Araçatuba e em São José do Rio Preto. Além disso, os vendedores locais precisam concorrer com o produto já disponível nas bases de Paulínia e Guarulhos.
Apesar da leve melhora na demanda, a maior oferta segue pressionando os valores. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado tem média de R$ 2,0454 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), queda de 1,49% nos últimos sete dias. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ tem média de R$ 2,3141 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), baixa de 2,71% na mesma base de comparação. Em São Paulo, nos últimos sete dias, em relação aos preços entre os produtos do setor sucroenergético, o açúcar cristal está 34,18% acima do etanol hidratado e 23,77% superior ao etanol anidro. Entre os dois biocombustíveis, o preço do anidro é 8,37% maior que o do hidratado. A gasolina nos postos de São Paulo está cotada a R$ 6,39 por litro, estável nos últimos sete dias. No caso do etanol hidratado, a média é de R$ 3,70 por litro, baixa de 0,8% no mesmo comparativo. Com isso, a relação etanol/gasolina é de 57,9%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.