28/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em baixa nesta segunda-feira (27/07) na Bolsa de Nova York, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior e voltando a se afastar do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em outubro, referência atual e de maior liquidez, recuou 19 pontos, equivalente a 1,29%, e fechou a 14,58 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações veio principalmente da forte queda do mercado de energia, da melhora das condições climáticas no Hemisfério Norte, do clima mais seco favorecendo a moagem de cana-de-açúcar no Brasil e da valorização do dólar comercial no País.
No mercado energético, o petróleo WTI recuou 8,26%, com queda de US$ 7,99 por barril, para US$ 88,79 por barril, em movimento de realização de lucros após a recente alta provocada pelas tensões no Oriente Médio. A desvalorização do petróleo reduz a competitividade relativa do etanol frente à gasolina, o que tende a desestimular o consumo do biocombustível e pode favorecer maior direcionamento de cana-de-açúcar para a produção de açúcar pelas usinas do Centro-Sul brasileiro. No cenário agrícola de curto prazo, a evolução das chuvas na Ásia e a manutenção de tempo seco no Brasil mantêm pressão sobre o mercado.
Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que o déficit acumulado de chuvas caiu para 16% abaixo da média histórica até 27 de julho, ante 19% no dia 22 e 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações sobre perdas mais severas na safra do segundo maior produtor mundial de açúcar. No Brasil, o clima mais seco registrado em julho deve elevar a participação do açúcar no mix de produção das usinas, superando os 42% registrados no balanço anterior da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). Pelo lado da demanda internacional, o cenário permanece desfavorável. A StoneX avalia que a China reduziu o ritmo de novas compras após antecipar importações, enquanto as aquisições de açúcar brasileiro pela Indonésia continuam em desaceleração.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 20,3% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas três primeiras semanas de julho. Apesar da pressão vendedora, as perdas foram limitadas pelas preocupações com o equilíbrio global de oferta para a safra 2026/27. A consultoria Hedgepoint reduziu sua projeção de superávit mundial para 1,8 milhão de toneladas devido a problemas climáticos em países produtores como Tailândia, União Europeia, México e nações da América Central. Para a Tailândia, a Hedgepoint estima produção de 9 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta 9,50 milhões de toneladas, volume 15,6% inferior ao da temporada anterior.
As projeções de oferta global mais ajustada também aparecem nas estimativas de déficit mundial de outras consultorias. O Itaú BBA projeta déficit de 700 mil toneladas, a StoneX estima 550 mil toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula 262 mil toneladas e a Czarnikow aponta déficit de 100 mil toneladas. No cenário climático de longo prazo, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) mantêm em 81% a probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño considerado muito forte até setembro, fator que permanece no radar do mercado para a definição da oferta global futura.