28/Jul/2026
A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) manifestou apoio à adoção da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), classificando a medida como estratégica para a descarbonização da matriz energética, o fortalecimento da produção nacional e a segurança energética do Brasil. A entidade também demonstrou preocupação com o questionamento apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre a implementação da nova mistura, avaliando que uma eventual interrupção da política representaria um retrocesso para o setor de biocombustíveis. A ampliação da participação do etanol na gasolina deve ser tratada como uma política de Estado voltada ao cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e ao aumento da participação de combustíveis renováveis na matriz energética. A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) extrapola a resposta às tensões geopolíticas no Oriente Médio e ao aumento dos custos dos insumos, contribuindo para o avanço da transição energética.
O aumento da mistura de etanol proporciona benefícios econômicos e sociais ao setor sucroenergético. No meio rural, a medida amplia o escoamento da produção de cana-de-açúcar, fortalece a renda dos produtores, contribui para a manutenção de empregos e movimenta a economia de centenas de municípios dependentes da atividade. Nos centros urbanos, o maior uso de etanol pode reduzir a exposição do País à volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, além de contribuir para a melhoria da qualidade do ar e para a redução dos gastos públicos associados às doenças respiratórias. O questionamento apresentado pelo MPF, embora fundamentado em aspectos jurídicos, não considera a complexidade da cadeia sucroenergética e a integração econômica e social existente entre o campo e os centros urbanos. Como fundamento técnico, a Orplana cita estudos realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), que avaliaram a viabilidade da adoção do E32.
Os testes envolveram 16 automóveis movidos exclusivamente a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024, além de 13 motocicletas representativas da frota nacional. De acordo com os resultados apresentados, foram analisados parâmetros como desempenho, consumo de combustível, partida a frio, dirigibilidade, aceleração e funcionamento dos sistemas eletrônicos dos veículos. Os ensaios não identificaram impactos negativos sobre o desempenho dos motores, a durabilidade ou a segurança dos veículos em razão do aumento da proporção de etanol na gasolina, indicando a viabilidade técnica da nova mistura. O E32 deve ser tratado como uma política pública voltada à sustentabilidade, à soberania energética e ao fortalecimento da produção nacional, conciliando desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e redução da dependência de combustíveis fósseis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.