24/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão desta quinta-feira (23/07) em leve baixa na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de realização de lucros observado na sessão anterior. O contrato com vencimento em outubro, referência para o mercado, recuou 0,34%, ou 5 pontos, e fechou a 14,69 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi atribuída ao fortalecimento do dólar no mercado internacional, à melhora das condições climáticas no Hemisfério Norte, à maior atratividade da produção de açúcar em relação ao etanol no curto prazo e aos sinais de enfraquecimento da demanda global. O índice DXY avançou 0,28%, para 101,125 pontos, tornando a commodity mais cara para compradores que utilizam outras moedas. No mercado brasileiro, o dólar comercial subiu 0,63%, para R$ 5,0833, fator que aumenta a competitividade das exportações brasileiras e estimula a comercialização externa.
Na Índia, a evolução das chuvas de monções reduziu as preocupações com perdas na produção. O déficit acumulado de precipitações até 22 de julho caiu para 19% abaixo da média histórica, ante 42% registrados no fim de junho, diminuindo o risco imediato para a safra do segundo maior produtor mundial de açúcar. Pelo lado da demanda, o mercado segue monitorando a desaceleração das compras internacionais. A StoneX destaca que a China reduziu a necessidade de novas aquisições após antecipar importações, enquanto dados oficiais apontam queda anual de 34,2% nas importações chinesas de açúcar em junho. Também houve enfraquecimento das compras da Indonésia de açúcar brasileiro e redução de 20,3% no ritmo médio diário das exportações brasileiras nas três primeiras semanas de julho, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No mercado financeiro, o relatório Commitment of Traders (COT) mostrou aumento das posições líquidas compradas dos fundos no mercado de Londres para um recorde de 58.847 contratos, elevando o potencial para novas liquidações de posições. As perdas, entretanto, foram limitadas pela valorização do petróleo e pelas perspectivas de menor oferta de açúcar no Brasil. O petróleo WTI avançou 7,27%, para US$ 94,07 por barril, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os riscos para a navegação pelos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb. A valorização da energia amplia a competitividade do etanol no mercado brasileiro, cenário reforçado pela entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), prevista para 1º de agosto.
Segundo estimativa do Bradesco, a medida deverá elevar o consumo de etanol em 633 milhões de litros na safra 2026/27. O mercado também incorporou estimativas de redução na produção brasileira em função das chuvas registradas em junho no Centro-Sul. Levantamento da S&P Global Commodity Insights indica que a moagem de cana na segunda quinzena de junho caiu 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 33,56 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 34,4%, para 1,87 milhão de toneladas, enquanto o mix açucareiro diminuiu para 44,69%, ante 53,23% no mesmo período de 2025. Para toda a safra, a XP Investimentos projeta moagem de 638,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul e produção de 39,6 milhões de toneladas de açúcar, volume 2,1% inferior ao ciclo anterior.