24/Jul/2026
Os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta quinta-feira (23/07) em forte alta, impulsionados pela intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas restrições ao fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz. O movimento também refletiu a escalada do conflito envolvendo os Houthis no Iêmen e a Arábia Saudita, aumentando as preocupações com a navegação no Estreito de Bab-el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do comércio global de energia. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo WTI para setembro avançou US$ 5,36, ou 6,17%, cotado a US$ 92,19 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o contrato do petróleo Brent para setembro subiu US$ 6,62, ou 7,04%, cotado a US$ 100,69 por barril, retornando ao patamar de US$ 100,00 por barril.
As cotações permaneceram em trajetória de alta após os Estados Unidos anunciarem a conclusão de uma nova rodada de ataques contra o Irã, marcando o 12º dia consecutivo de ações militares. Em resposta, o Irã manteve operações de retaliação em países da região do Golfo Pérsico. Paralelamente, o governo norte-americano informou o envio de tropas adicionais, equipes médicas e armamentos ao Oriente Médio, ampliando sua capacidade de resposta militar na região. O cenário também foi influenciado pela redução do tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz em relação aos níveis observados em junho. Dados de rastreamento marítimo da Kpler indicam que parte dos navios passou a adotar rotas alternativas para evitar o Mar Vermelho, elevando as preocupações com possíveis interrupções no abastecimento e nos fluxos logísticos internacionais de petróleo.
Na avaliação do Deutsche Bank, o conflito entre Estados Unidos e Irã continua sem sinais de redução das tensões, não havendo perspectivas concretas de um acordo de paz no curto prazo, o que mantém elevado o prêmio de risco incorporado às cotações da commodity. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que avalia a possibilidade de ampliar a ofensiva militar contra o Irã, indicando que uma eventual operação poderá superar a dimensão da ‘Operação Epic Fury’. O governo norte-americano também sinalizou que poderá intensificar ações militares contra os Houthis caso o grupo continue interferindo nas rotas comerciais da região do Golfo, responsabilizando igualmente o Irã por essas ações. Trump também indicou que o acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita permanece em análise, mas condicionou sua aprovação à adesão saudita aos Acordos de Abraão, conjunto de tratados diplomáticos intermediados pelos Estados Unidos para normalização das relações entre Israel e diversos países árabes.