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23/Jul/2026

Açúcar: clima favorável na Índia pressiona futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão desta quarta-feira (22/07) em baixa na Bolsa de Nova York, refletindo realização de lucros após a valorização da sessão anterior e a redução das preocupações com a safra da Índia. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, caiu 14 pontos, ou 0,94%, e fechou a 14,74 centavos de dólar por libra-peso. O principal fator de pressão foi a melhora das condições climáticas no Hemisfério Norte. Dados do Departamento Meteorológico da Índia indicaram redução do déficit acumulado das chuvas das monções para 19% abaixo da média histórica até 22 de julho, ante 23% registrados em 20 de julho e 42% observados no fim de junho. O avanço das precipitações diminuiu as preocupações com perdas expressivas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar. No Brasil, a retomada do tempo seco no Centro-Sul favorece o avanço da colheita da cana-de-açúcar, contribuindo para a normalização das operações no campo após os impactos das chuvas registradas em junho.

Pelo lado da demanda, o mercado continua observando sinais de enfraquecimento das compras internacionais. A StoneX destaca que a China reduziu a necessidade de novas aquisições após antecipar importações, enquanto dados oficiais apontaram retração de 34,2% nos embarques chineses em junho na comparação anual. A consultoria também observa menor ritmo das compras da Indonésia de açúcar brasileiro. Paralelamente, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicaram desaceleração de 20,3% no volume médio diário das exportações brasileiras de açúcar nas três primeiras semanas de julho. As perdas, contudo, foram parcialmente limitadas pela valorização do mercado de energia e pelas perspectivas de menor produção no Centro-Sul do Brasil. O petróleo WTI avançou 2,75%, encerrando o dia a US$ 91,01 por barril, maior nível das últimas seis semanas, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A valorização do petróleo amplia a competitividade do etanol frente à gasolina e pode influenciar a destinação da matéria-prima pelas usinas. No mercado doméstico, esse movimento também é sustentado pela decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina (E32) a partir de 1º de agosto. Segundo estimativa do Bradesco, a medida deverá acrescentar aproximadamente 633 milhões de litros ao consumo de etanol no ciclo 2026/27. As revisões para baixo da produção brasileira também permanecem no radar do mercado. Levantamento da S&P Global Commodity Insights estima que a moagem de cana na segunda quinzena de junho recuou 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado, para 33,56 milhões de toneladas. A produção de açúcar caiu 34,4%, para 1,87 milhão de toneladas, enquanto o mix açucareiro recuou para 44,69%, ante 53,23% no mesmo período de 2025. Para toda a safra 2026/27 do Centro-Sul, a XP Investimentos projeta processamento de 638,5 milhões de toneladas de cana, com produção de 39,6 milhões de toneladas de açúcar, volume 2,1% inferior ao registrado no ciclo anterior.