23/Jul/2026
Segundo a StoneX, as tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros deverão ter impacto limitado, no curto prazo, sobre as exportações brasileiras de etanol, mas tendem a acelerar a diversificação dos mercados compradores do biocombustível. No mercado de açúcar, a medida poderá dificultar o preenchimento da cota de exportação destinada aos Estados Unidos, ampliando a disponibilidade do produto brasileiro para outros mercados. Os efeitos imediatos sobre as exportações de etanol tendem a ser reduzidos porque os embarques brasileiros para os Estados Unidos já apresentavam retração desde 2024. Além disso, os elevados estoques norte-americanos diminuem a necessidade de importações, reduzindo a probabilidade de alteração significativa no fluxo comercial entre os dois países nos próximos meses. No médio prazo, entretanto, o crescimento contínuo da produção brasileira de etanol exigirá a ampliação dos mercados de destino, uma vez que a demanda doméstica não acompanha a expansão da oferta.
Entre os países com potencial para absorver maiores volumes estão Coreia do Sul, Países Baixos, Filipinas e Vietnã, sendo que este último amplia sua política de mistura obrigatória de etanol à gasolina. A combinação entre a tarifa adicional de 25% e o avanço da proposta de adoção permanente da gasolina E15 nos Estados Unidos reforça a proteção à indústria norte-americana de etanol de milho. A ampliação definitiva da comercialização da gasolina com 15% de etanol poderá reduzir em aproximadamente 76% o potencial exportador de etanol dos Estados Unidos até 2027, fortalecendo o consumo interno da produção local. No mercado de açúcar, os impactos tendem a ocorrer principalmente sobre os fluxos comerciais. O Brasil possui participação relevante na cota anual de importação de açúcar bruto dos Estados Unidos, equivalente a 156 mil toneladas por ano. A aplicação das tarifas adicionais poderá elevar o custo do produto brasileiro naquele mercado e reduzir o interesse dos importadores pelo preenchimento integral dessa cota.
Esse cenário poderá sustentar os preços domésticos do açúcar nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que aumenta a oferta disponível para outros mercados internacionais, exercendo pressão baixista sobre as cotações globais no curto prazo. A consultoria ressalta, entretanto, que esse movimento poderá ser revertido caso se confirme um déficit mundial de açúcar na safra 2026/27, elevando a demanda internacional por importações. O fluxo bilateral de etanol entre Brasil e Estados Unidos já vinha apresentando mudanças antes da entrada em vigor da tarifa adicional. O superávit brasileiro no comércio do biocombustível com os Estados Unidos recuou de 202 milhões de litros em 2024 para 113 milhões de litros em 2025 e tornou-se deficitário no primeiro semestre de 2026. No período, o Brasil importou 250,8 milhões de litros de etanol norte-americano e exportou apenas 66,4 milhões de litros para aquele mercado. Essa alteração no fluxo comercial foi favorecida pelos baixos estoques brasileiros, pelo período de entressafra da cana-de-açúcar e pela maior competitividade do etanol de milho produzido nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.