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22/Jul/2026

Cana: projeção da moagem 2026/27 no Centro-Sul

A XP Investimentos projeta moagem de 638,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27, volume 4,5% superior ao registrado no ciclo anterior. A estimativa é sustentada pela expansão de 1,5% da área cultivada, para 8,3 milhões de hectares, e pela recuperação de 2,9% da produtividade, para 77,3 toneladas por hectare, favorecida pelas condições climáticas observadas desde o quarto trimestre de 2025. Com a maior oferta de matéria-prima, a instituição estima produção de 88,6 milhões de toneladas de ATR (Açúcar Total Recuperável), avanço de 5,2% em relação à safra anterior. Apesar do crescimento da disponibilidade de cana, a XP projeta produção de açúcar de 39,6 milhões de toneladas, retração de 2,1%, considerando um mix açucareiro próximo de 47%. A definição do volume destinado à fabricação de açúcar continuará sendo influenciada pela relação de rentabilidade entre açúcar e etanol.

Embora as cotações internacionais do açúcar tenham recuado, a competitividade melhorou em relação ao etanol, que permanece pressionado pela elevada oferta e por preços considerados pouco atrativos. Esse cenário tende a incentivar as usinas a direcionarem maior parcela da cana para a produção de açúcar ao longo da safra, em comparação com o observado no início da colheita. Para o mercado de etanol, a projeção de produção é de 38,1 bilhões de litros no Centro-Sul em 2026/27, crescimento de 13,1% sobre o ciclo anterior. Desse total, 28 bilhões de litros deverão ser provenientes da cana-de-açúcar e 10,1 bilhões de litros do milho. A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para E32 terá impacto limitado sobre os fundamentos do mercado, uma vez que o aumento da demanda deverá ser inferior ao crescimento esperado da oferta.

O principal fator de risco para a safra é um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño. Um evento climático mais intenso poderia comprometer o ritmo da colheita, elevar o volume de cana bisada e reduzir o teor de ATR em função do excesso de umidade e da menor eficiência industrial, embora o impacto sobre a disponibilidade total de cana seja considerado limitado. No mercado internacional, as cotações do açúcar permanecerão sensíveis às condições climáticas durante a safra 2026/27. A monção abaixo da média na Índia e a onda de calor na Europa seguem representando riscos para a oferta global, enquanto a perspectiva de uma safra mais robusta no Brasil tende a atuar como fator de equilíbrio. Ainda assim, é improvável que a maior produção brasileira elimine integralmente o prêmio climático incorporado às cotações internacionais, mantendo perspectiva favorável para os contratos de açúcar negociados na Bolsa de Nova York. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.