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22/Jul/2026

Açúcar: futuros em alta acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (21/07) em alta na Bolsa de Nova York, impulsionados pela valorização do mercado de energia, pelas expectativas de menor moagem de cana no Centro-Sul do Brasil em decorrência das chuvas de junho e pelas perspectivas de aumento da demanda por etanol no mercado doméstico. Apesar da recuperação, fatores relacionados à demanda internacional e às condições climáticas limitaram movimentos mais expressivos de valorização. O contrato com vencimento em outubro, referência de maior liquidez, avançou 6 pontos, equivalente a 0,40%, e fechou a 14,88 centavos de dólar por libra-peso, aproximando-se novamente da faixa de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O mercado recebeu suporte da forte valorização do setor de energia. O petróleo WTI registrou alta de 2,28%, alcançando US$ 89,22 por barril, maior nível em cinco semanas, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O avanço das cotações do petróleo fortalece a competitividade do etanol, favorecendo maior destinação de cana-de-açúcar para a produção do biocombustível. Esse movimento foi reforçado pela decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina (E32). Segundo estimativas do Bradesco, a medida poderá gerar demanda adicional de aproximadamente 633 milhões de litros de etanol durante o ciclo 2026/27, incentivando as usinas a ampliar a produção do biocombustível em detrimento do açúcar. As perspectivas de menor produção no Centro-Sul também contribuíram para sustentar os preços. Levantamento da S&P Global Commodity Insights estima que a moagem de cana na segunda quinzena de junho totalizou 33,56 milhões de toneladas, redução de 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A produção de açúcar foi projetada em 1,87 milhão de toneladas, retração de 34,4%, enquanto o mix açucareiro recuou para 44,69%, ante 53,23% registrados em igual período de 2025. O desempenho reflete o impacto das chuvas de junho, que reduziram em aproximadamente 3,3 dias o tempo efetivo de operação das unidades industriais. Apesar desses fatores de sustentação, o potencial de valorização das cotações permaneceu limitado por sinais de melhora das condições climáticas na Ásia, pela retomada do clima seco no Centro-Sul brasileiro e pelo enfraquecimento da demanda internacional. Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que o déficit acumulado das chuvas de monções diminuiu para 23% abaixo da média histórica até 20 de julho, após atingir 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações imediatas com perdas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

No Brasil, as condições climáticas mais favoráveis durante julho permitiram a retomada da colheita e da moagem, contribuindo para acelerar o processamento de cana-de-açúcar. Dados divulgados anteriormente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que a moagem acumulada permanece 16% acima da registrada no mesmo período do ciclo anterior. Pelo lado da demanda, os sinais continuam moderados. A StoneX destaca que a China reduziu a necessidade de novas aquisições após antecipar importações, movimento refletido na queda de 34,2% das compras chinesas em junho na comparação anual. A Indonésia também reduziu significativamente suas aquisições de açúcar brasileiro, com recuo de 92,5% no primeiro semestre. Paralelamente, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam desaceleração de 20,3% na média diária das exportações brasileiras de açúcar nas três primeiras semanas de julho.