ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

21/Jul/2026

Açúcar: preços estão operando em baixo patamar

Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco estão oscilando. Avanços expressivos foram registrados em alguns dias da semana passada, particularmente na sexta-feira (17/07), com alta de 2,64% frente ao dia anterior (16/07), acompanhando o mercado internacional. Porém, isso ainda foi insuficiente para uma definição mais clara de tendência. Considerando-se a média semanal do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180), essas altas pontuais não foram suficientes para superar a média da semana anterior. A média do Indicador é de R$ 91,82 por saca de 50 Kg, queda de 0,50% nos últimos sete dias (R$ 92,29 por saca de 50 Kg). Esse patamar mantém-se abaixo da média de preços verificada desde o início da safra da Região Centro-Sul, em abril, de R$ 95,50 por saca de 50 Kg.

A volatilidade dos preços no mercado interno deve-se à influência de mudanças sucessivas em variáveis conjunturais relevantes tanto no mercado internacional como no doméstico, dificultando uma evolução bem definida. A produção vem atendendo às expectativas, mostrando-se suficiente para abastecer o mercado interno com excedentes exportáveis, devido às condições climáticas positivas para o bom desenvolvimento da safra. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a oferta segue robusta: a moagem acumulada no Centro-Sul está cerca de 16% acima da verificada no mesmo período do ciclo anterior. No entanto, o mercado esperava mais, daí a indefinição de preços. Para a temporada 2026/27, a consultoria Hedgepoint vem projetando processamento de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar.

No dia 14 de julho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), medida que deve ampliar a demanda pelo biocombustível em cerca de 500 milhões de litros até o fim da safra. Agentes avaliam que, no médio prazo, o novo patamar pode estimular as usinas a direcionarem mais cana ao etanol, com possível redução do mix açucareiro, que teria reflexos positivos nos preços domésticos de açúcar. No contexto externo, a interrupção do cessar-fogo da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã volta a complicar o escoamento de petróleo pelo Estreito de Ormuz, aumentando as cotações internacionais do combustível fóssil. Esse aspecto também favorece a produção de etanol, o que pode pressionar os valores do açúcar.

No mercado internacional, o risco de diminuição da oferta indiana, que sustentara os repiques das semanas anteriores para o contrato nº 11 de açúcar na Bolsa de Nova York cedeu espaço à fragilidade da demanda e, ao final, à conexão energética do complexo sucroalcooleiro brasileiro. Somam-se a esse quadro os ruídos de política comercial, com os consumidores industriais norte-americanos pleiteando ampliação das importações sob tarifas reduzidas e os produtores brasileiros de etanol protestando contra as tarifas dos Estados Unidos, elementos que não alteram o balanço físico imediato, mas ampliam a volatilidade da formação de preços.

Nos últimos sete dias, o contrato nº 11 da ICE Futures não sustentou o patamar antes conquistado, embora tenha encerrado em recuperação expressiva. A sequência de quedas associada à demanda fraca conduziu o contrato Outubro/26 ao fechamento de 14,44 centavos de dólar por libra-peso na quinta-feira (16/07), a mínima da semana passada, seguida de forte reação na sexta-feira (17/07), quando fechou a 14,83 centavos de dólar por libra-peso, alta significativa de 2,70% ante o dia anterior. Em São Paulo, no atacado, o Indicador de Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,43 por saca de 5 Kg, alta de 1,86% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,50 por saca de 1 Kg, elevação de 0,16% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.