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21/Jul/2026

Açúcar: futuros encerraram praticamente estáveis

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (20/07) próximos da estabilidade na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, recuou 0,07%, ou 1 ponto, e fechou a 14,82 centavos de dólar por libra-peso. O mercado foi influenciado pela acomodação das cotações do petróleo após as fortes altas recentes, pelo fortalecimento do dólar frente às principais moedas e pela manutenção de um quadro de oferta confortável no curto prazo. O índice DXY avançou 0,20%, para 100,765 pontos, reduzindo a competitividade das commodities denominadas em dólar para compradores de outras moedas.

No setor de energia, o petróleo WTI operou em alta de 0,52%, cotado a US$ 88,10 por barril, mas devolveu parte dos ganhos registrados na sessão anterior. O movimento reduziu momentaneamente o suporte ao mercado de etanol, mesmo após a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), fator estruturalmente favorável ao consumo do biocombustível no mercado brasileiro. Pelo lado dos fundamentos, o avanço das chuvas de monções na Ásia e a ampla disponibilidade de açúcar no Brasil continuaram pressionando as cotações. Na Índia, o déficit acumulado de precipitações diminuiu para 23% abaixo da média histórica até 20 de julho, ante 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas expressivas na produção do segundo maior produtor mundial.

No Brasil, o retorno do clima seco favorece a aceleração da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul, ampliando a oferta disponível. No lado da demanda, análises de mercado apontam redução da necessidade imediata de importações pela China, desaceleração das compras da Indonésia de açúcar brasileiro e menor ritmo das exportações brasileiras na primeira quinzena de julho. Além disso, o elevado volume de posições compradas por fundos de investimento no mercado futuro amplia o potencial para movimentos de realização de lucros. As perdas, entretanto, permaneceram limitadas pelas perspectivas de menor oferta global na safra 2026/27.

Chuvas atípicas registradas em junho no Centro-Sul brasileiro reduziram o ritmo da moagem e afetaram os níveis de Açúcar Total Recuperável (ATR). Paralelamente, consultorias privadas reduziram suas estimativas de superávit mundial em razão de problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como Tailândia, União Europeia, México e países da América Central. Permanece elevada a preocupação com os impactos do fortalecimento do fenômeno El Niño. As projeções indicam elevada probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade nos próximos meses, fator que poderá influenciar o desenvolvimento das lavouras e a produção mundial de açúcar na safra 2026/27.