20/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (17/07) em alta na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência recente de perdas, sustentados principalmente pela valorização do petróleo, pelas perspectivas de maior demanda por etanol no Brasil e pela redução das estimativas de excedente global de açúcar. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 39 pontos, ou 2,70%, e fechou a 14,83 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi impulsionado pela forte alta do petróleo, que elevou a competitividade do etanol frente à gasolina e estimulou operações de cobertura de posições vendidas por fundos de investimento.
O contrato do petróleo WTI avançou 3,88%, para US$ 84,23 por barril, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. No mercado brasileiro, o reajuste da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reforçou as expectativas de aumento da demanda pelo biocombustível, estimada em aproximadamente 500 milhões de litros adicionais até o encerramento da safra. Esse cenário tende a favorecer um direcionamento maior da cana para a produção de etanol, reduzindo o mix destinado ao açúcar e oferecendo suporte às cotações internacionais. As perspectivas para a oferta global também contribuíram para a valorização dos contratos.
A Hedgepoint reduziu sua estimativa de superávit mundial de açúcar na safra 2026/27 de cerca de 4 milhões para 1,8 milhão de toneladas, refletindo perdas de produção em importantes regiões produtoras, como Tailândia, União Europeia, México e América Central. Outras instituições também projetam um mercado global mais ajustado. O Itaú BBA estima déficit de 700 mil toneladas, a StoneX prevê déficit de 550 mil toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 262 mil toneladas e a Czarnikow calcula déficit de 100 mil toneladas. Esta última atribui o cenário à expectativa de redução da produção do Centro-Sul do Brasil para 39,5 milhões de toneladas e à diminuição do mix açucareiro para 47%, em função da maior atratividade econômica da produção de etanol.
No campo climático, previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e do Centro de Previsão Climática (CPC) indicam probabilidade de 81% de ocorrência de um episódio muito forte de El Niño até setembro, aumentando os riscos para a produção agrícola em diversos países. Apesar dos fatores de sustentação, o potencial de novas altas permaneceu limitado pela melhora das condições climáticas em parte da Ásia e pela elevada disponibilidade de açúcar no Brasil. Na Índia, o déficit das chuvas de monções diminuiu para 24% abaixo da média histórica até 17 de julho, ante 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas na safra do segundo maior produtor mundial.
No Brasil, a oferta continua elevada, com dados anteriores da Unica indicando moagem acumulada 16% superior à registrada no mesmo período do ciclo anterior. Pelo lado da demanda, permanecem sinais de desaceleração em importantes mercados consumidores. A StoneX aponta redução da necessidade imediata de compras pela China após antecipação das importações. Na Indonésia, as aquisições de açúcar brasileiro recuaram 92,5% no primeiro semestre, enquanto dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram queda de 26,9% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas duas primeiras semanas de julho, em comparação com igual período do ano anterior.