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20/Jul/2026

Etanol: tarifa dos EUA terá impacto limitado no setor

A manutenção do etanol brasileiro entre os produtos sujeitos à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos deverá produzir impacto econômico limitado sobre o setor sucroenergético no curto prazo, embora amplie as incertezas comerciais entre os dois países. A avaliação predominante no setor é que a disputa em torno do biocombustível está inserida em uma negociação mais ampla envolvendo também o acesso do açúcar brasileiro ao mercado norte-americano. Segundo dados do ComexStat, o Brasil exportou US$ 162,9 milhões em etanol para os Estados Unidos em 2025, enquanto importou US$ 68,8 milhões do biocombustível norte-americano. No mesmo período, as exportações brasileiras de açúcar para o mercado dos Estados Unidos somaram US$ 233 milhões.

A Região Nordeste ocupa posição estratégica nesse contexto por concentrar as usinas beneficiadas pela cota preferencial brasileira de açúcar destinada ao mercado norte-americano. O mecanismo assegura acesso ao mercado dos Estados Unidos com tarifa reduzida para um volume anual limitado, representando importante fonte de receita para parte das unidades produtoras da região. A Datagro avalia que a manutenção da tarifa reduz a rentabilidade das vendas destinadas ao mercado norte-americano, sobretudo para as usinas nordestinas que utilizam a cota preferencial de açúcar. O mercado de açúcar dos Estados Unidos permanece entre os mais protegidos do mundo, com acesso condicionado a cotas tarifárias distribuídas entre países exportadores.

Ao Brasil cabe uma cota próxima de 150 mil toneladas por ano, destinada pelo governo federal às usinas das Regiões Norte e Nordeste, volume reduzido diante das exportações brasileiras superiores a 34 milhões de toneladas anuais. Na avaliação do Itaú BBA, a medida não deverá provocar alterações relevantes na dinâmica operacional das usinas nordestinas. Parte das exportações de etanol direcionadas aos Estados Unidos decorre de vantagens logísticas e que esses volumes podem ser redirecionados para outros mercados, reduzindo o impacto econômico sobre o setor. Brasil e Estados Unidos enfrentam cenário semelhante no mercado internacional de biocombustíveis, caracterizado pelo aumento da produção e pela necessidade crescente de expansão das exportações para absorção da oferta excedente.

Nos Estados Unidos, a safra recorde de milho ampliou a disponibilidade de matéria-prima para produção de etanol, enquanto a desaceleração das exportações mantém os estoques elevados. Avaliação semelhante foi apresentada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem). As entidades consideram que o impacto direto sobre as exportações brasileiras tende a ser limitado, uma vez que os Estados Unidos deixaram de representar um mercado prioritário para o etanol nacional. Ainda assim, apontam que a medida amplia a insegurança nas relações comerciais e desconsidera que a redução das importações brasileiras de etanol norte-americano decorre principalmente da expansão da produção doméstica, especialmente do etanol de milho. As entidades também reiteram que a política brasileira para o setor está alinhada às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendem uma solução negociada para o impasse.

A Datagro avalia que a controvérsia sobre o etanol faz parte de uma negociação comercial mais ampla entre os dois países. Segundo a consultoria, os Estados Unidos buscam reduzir a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil às importações de etanol provenientes de países fora do Mercosul, enquanto o governo brasileiro condiciona avanços à ampliação do acesso do açúcar nacional ao mercado norte-americano, atualmente protegido por elevadas tarifas e por um sistema restritivo de cotas. A adoção de tarifas não implica necessariamente interrupção do comércio bilateral. Desde o início das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras de açúcar para aquele mercado foram mantidas, embora parte do custo adicional tenha sido absorvida tanto pelos exportadores brasileiros quanto pelos importadores norte-americanos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.