17/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quinta-feira (16/07) em queda na Bolsa de Nova York, mantendo o movimento corretivo iniciado nas sessões anteriores e se afastando do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento outubro, referência atual e o contrato de maior liquidez, recuou 41 pontos, equivalente a 2,76%, e fechou a 14,44 centavos de dólar por libra-peso. O avanço das chuvas de monções na Índia, a ampla disponibilidade física de curto prazo no Brasil e a liquidação de posições compradas por fundos de investimento foram os principais fatores responsáveis pelo movimento de baixa nas cotações internacionais.
Dados do Departamento Meteorológico da Índia indicam que o déficit acumulado de precipitações recuou para 23% abaixo da média histórica até 15 de julho, após atingir 42% no fim de junho. A recuperação das condições climáticas reduziu as preocupações imediatas sobre possíveis perdas na safra do país, segundo maior produtor mundial de açúcar. No Brasil, principal exportador global da commodity, o mercado permanece pressionado pela oferta elevada no Centro-Sul. Dados anteriores da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontam que a moagem acumulada de cana-de-açúcar está 16% acima do registrado no ciclo anterior.
A consultoria Hedgepoint projeta processamento de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar na temporada atual, reforçando a expectativa de ampla disponibilidade do produto brasileiro no mercado internacional. Pelo lado da demanda, os sinais de menor ritmo comprador também limitam uma recuperação das cotações. A StoneX avalia que a China reduziu a necessidade de novas compras após antecipar importações, enquanto as aquisições da Indonésia de açúcar brasileiro recuaram 92,5% no primeiro semestre. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 26,9% no volume médio diário exportado nas duas primeiras semanas de julho.
No Brasil, o dólar comercial avançou 0,38%, para R$ 5,07, movimento que aumenta a competitividade das exportações brasileiras, mas também contribui para manter a pressão sobre as cotações internacionais do açúcar. O relatório de posicionamento dos traders (COT) indicou que os fundos mantinham posição líquida comprada recorde de 58.131 lotes em Londres, elevando a exposição do mercado a movimentos adicionais de liquidação de posições. Apesar da pressão baixista, fatores de suporte permanecem no horizonte, principalmente relacionados ao balanço de oferta e demanda no longo prazo, ao comportamento das commodities energéticas e aos impactos da política brasileira de biocombustíveis.
O petróleo WTI permanece em níveis elevados diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, cenário que mantém suporte aos preços relativos do etanol. No mercado brasileiro, a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina (E32) deve ampliar a demanda pelo biocombustível em aproximadamente 500 milhões de litros até o fim do ciclo. A maior demanda por etanol, combinada com preços firmes do petróleo, pode estimular usinas a direcionarem maior volume de cana-de-açúcar para a produção de biocombustível no médio prazo, reduzindo a disponibilidade potencial de açúcar e limitando excedentes da commodity.