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16/Jul/2026

Açúcar: ampla oferta global pressiona os futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quarta-feira (15/07) em leve baixa na Bolsa de Nova York, refletindo acomodação técnica após a valorização da sessão anterior e a continuidade de um cenário de ampla oferta global. O contrato outubro, o mais líquido, recuou 0,20% (3 pontos), e fechou a 14,85 centavos de dólar por libra-peso, permanecendo abaixo do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi sustentada pelo avanço das chuvas das monções na Índia, pela elevada disponibilidade de açúcar no curto prazo no Brasil e pela realização de lucros por fundos de investimento.

Na Índia, o déficit acumulado de precipitações caiu para 23% abaixo da média histórica até 15 de julho, após atingir 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas na produção do segundo maior produtor mundial. No Brasil, a oferta segue favorecida pelo avanço da moagem de cana no Centro-Sul. Dados da Unica indicam processamento acumulado cerca de 16% superior ao registrado no ciclo anterior. A Hedgepoint projeta moagem de 635 milhões de toneladas de cana e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar na safra atual. Pelo lado da demanda, o mercado continua apresentando menor dinamismo.

A China reduziu a necessidade de novas aquisições após antecipar importações, enquanto as compras de açúcar brasileiro pela Indonésia recuaram 92,5% no primeiro semestre, segundo a StoneX. No cenário macroeconômico, o índice do dólar (DXY) recuou 0,32%, para 100,919 pontos. No Brasil, o dólar comercial avançou 0,11%, encerrando a R$ 5,07, movimento que melhora a competitividade das exportações brasileiras e contribui para pressionar as cotações internacionais. O mercado também permanece atento ao elevado volume de posições compradas mantidas por fundos de investimento, fator que aumenta o risco de novas liquidações. As perdas foram limitadas pela sustentação dos preços do petróleo e pelas perspectivas de maior demanda por etanol no Brasil.

O petróleo WTI permaneceu próximo da estabilidade, cotado a US$ 84,73 por barril, enquanto a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) deverá ampliar o consumo do biocombustível em aproximadamente 500 milhões de litros até o fim da safra. Esse cenário pode estimular maior destinação de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no médio prazo. Para a safra 2026/27, a Hedgepoint reduziu sua estimativa de superávit global de açúcar de cerca de 4 milhões para 1,8 milhão de toneladas, refletindo revisões para baixo na produção da Tailândia, União Europeia, México e América Central em função de problemas climáticos.

Outras consultorias também projetam um mercado mais apertado, com estimativas de déficit global de 262 mil toneladas pela ISO, 550 mil toneladas pela StoneX, 700 mil toneladas pelo Itaú BBA e 100 mil toneladas pela Czarnikow, que atribui o cenário à menor produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro e à maior atratividade econômica do etanol. As perspectivas climáticas seguem como um dos principais fatores de risco para o mercado. Projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) e da NOAA indicam 67% de probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, com potencial para afetar a produção de importantes regiões produtoras de açúcar.