16/Jul/2026
Segundo a Argus, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) deverá ampliar a demanda pelo biocombustível e oferecer sustentação aos preços no curto prazo. No entanto, os efeitos da medida tendem a ser limitados pelo cenário de produção recorde de etanol projetado para a safra 2026/27, caracterizado por ampla disponibilidade do produto no mercado brasileiro. O aumento da participação do etanol anidro na gasolina amplia o consumo obrigatório do biocombustível em um período de elevada oferta, favorecendo o escoamento da produção e contribuindo para reduzir a pressão sobre os preços.
Apesar desse suporte adicional à demanda, a adoção do E32 não deverá provocar alterações significativas na dinâmica de abastecimento do mercado nacional. O cenário de sobreoferta, aliado ao crescimento estrutural da produção de etanol de milho, reduz a necessidade de importações, diferentemente do observado em ciclos anteriores. A nova mistura não deverá abrir espaço para importações de etanol na Região Nordeste, uma vez que a expansão da produção doméstica, especialmente do etanol de milho, alterou de forma estrutural o perfil de oferta do biocombustível no Brasil durante a safra 2026/27.
O cenário atual difere daquele registrado durante a implantação da mistura E30, em 2025. Na ocasião, a elevação do percentual obrigatório ocorreu em um ambiente de estoques reduzidos, favorecendo o aumento das importações para suprir a demanda adicional gerada pela mudança regulatória. A combinação entre produção recorde e maior participação do etanol de milho deverá garantir o abastecimento interno mesmo com o aumento da mistura obrigatória, limitando impactos mais expressivos sobre os preços e sobre o fluxo de importações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.