16/Jul/2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que o mercado internacional de petróleo conseguiu absorver os impactos provocados pela interrupção do fluxo da commodity no Estreito de Ormuz durante o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Apesar da resiliência observada, que parte significativa dos mecanismos utilizados para estabilizar os preços já foi empregada, reduzindo a capacidade de resposta a novos choques de oferta. A maior interrupção no mercado global de petróleo das últimas décadas poderia ter provocado uma elevação muito mais intensa das cotações. No entanto, os preços permaneceram na faixa entre US$ 90,00 e US$ 100,00 por barril, desempenho atribuído principalmente à retração da demanda mundial, especialmente nos países asiáticos. A elevação dos preços reduziu o consumo de petróleo e estimulou maior utilização de fontes alternativas de energia, como carvão mineral e energias renováveis.
Ao mesmo tempo, a demanda por combustíveis destinados ao transporte apresentou maior resistência, influenciada por políticas de controle de preços, subsídios e desonerações tributárias adotadas por diversos países, medidas que contribuíram para limitar o impacto sobre os consumidores, mas aumentaram os custos fiscais. A expansão da produção de petróleo fora da região do Golfo Pérsico contribuiu para reduzir os efeitos da interrupção do abastecimento. A produção adicional foi estimada em cerca de 2 milhões de barris por dia acima dos níveis registrados em 2025, compensando parcialmente a retirada de mais de 1,1 bilhão de barris do mercado internacional durante o bloqueio do Estreito de Ormuz entre fevereiro e maio. No mesmo estágio da interrupção, o déficit de oferta superou os registrados durante a crise do petróleo de 1973, a Guerra Irã-Iraque e a Guerra do Golfo.
Outro fator decisivo para o equilíbrio do mercado foi a utilização de estoques de petróleo por diversos países. O FMI estima que o déficit médio de aproximadamente 4 milhões de barris por dia entre março e maio foi praticamente compensado pela redução dos estoques globais, incluindo reservas comerciais na China e estoques estratégicos mantidos por diferentes governos. Apesar da estabilização do mercado, a redução dos estoques deixa o sistema global de abastecimento mais vulnerável a futuras interrupções. A instituição estima que, mesmo após uma eventual reabertura completa do Estreito de Ormuz, serão necessários entre dois e três meses para que uma parcela significativa dos fluxos de petróleo seja restabelecida. Caso os estoques globais não sejam recompostos, o mercado internacional iniciará um eventual novo episódio de interrupção da oferta em condições mais frágeis, com menor capacidade de absorver novos choques sem impactos relevantes sobre os preços e o abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.