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15/Jul/2026

Açúcar: E32 no Brasil impulsiona os preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta nesta terça-feira (14/07) na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência de perdas observada no início da semana. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, avançou 13 pontos, ou 0,88%, e fechou a 14,88 centavos de dólar por libra-peso. O movimento de valorização foi sustentado pela aprovação do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina no Brasil, pelo avanço das commodities energéticas e pelo enfraquecimento do dólar. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a elevação da mistura de etanol de 30% para 32%, medida que tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e pode estimular usinas do Centro-Sul a direcionarem maior parcela da cana-de-açúcar para a produção de etanol em detrimento do açúcar ao longo da safra. O suporte adicional veio da valorização do petróleo.

O contrato do WTI registrava alta de 1,75%, para US$ 83,30 por barril, atingindo o maior nível em um mês, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. No mercado financeiro, o índice DXY recuava 0,38%, para 101,235 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 1,18%, para R$ 5,13, reduzindo o incentivo às vendas externas e às fixações de exportação pelas usinas brasileiras. Apesar da recuperação das cotações, fatores fundamentais continuam limitando movimentos mais intensos de alta. A melhora das condições climáticas na Ásia, a elevada oferta disponível e sinais de enfraquecimento da demanda internacional seguem pressionando o mercado. Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que o déficit acumulado das chuvas das monções caiu para 19% até 13 de julho, ante 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas na safra do segundo maior produtor mundial.

No Brasil, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul permanece em ritmo acelerado, com volume acumulado 16% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior, segundo dados da Unica. A Hedgepoint projeta moagem de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar na temporada. Pelo lado da demanda, a StoneX observa redução do interesse comprador por parte da China após a antecipação de importações, enquanto as compras de açúcar brasileiro pela Indonésia recuaram 92,5% no primeiro semestre. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também apontam queda de 26,9% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas duas primeiras semanas de julho. No horizonte da safra 2026/27, entretanto, o mercado continua encontrando sustentação nas perspectivas de menor superávit global. A Hedgepoint reduziu sua estimativa de excedente mundial de aproximadamente 4 milhões para 1,8 milhão de toneladas, refletindo perdas de produção provocadas pelo clima na Tailândia, União Europeia, México e América Central.

A consultoria projeta safra tailandesa de 9 milhões de toneladas. Outras instituições também indicam cenário de oferta global mais ajustada. O Itaú BBA estima déficit mundial de 700 mil toneladas, a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê déficit de 262 mil toneladas e a Czarnikow estima déficit de 100 mil toneladas, considerando produção de 39,5 milhões de toneladas no Centro-Sul brasileiro e mix açucareiro de 47%. As perspectivas climáticas também seguem no radar do mercado. Projeções da NOAA e do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) indicam que o aquecimento do Pacífico Equatorial poderá evoluir para um dos episódios mais intensos dos últimos 75 anos, com probabilidade de 67% de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fator que continua sendo acompanhado pelos participantes do mercado devido aos potenciais impactos sobre a produção global de açúcar.