15/Jul/2026
Segundo a StoneX, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) deve contribuir para reduzir o excedente de biocombustível disponível nas usinas e oferecer suporte aos preços, mas não será suficiente para alterar o cenário de ampla oferta do mercado sucroenergético. A medida deve estimular a demanda por etanol anidro, porém com impacto limitado sobre os fundamentos do setor. O E32 poderá elevar a demanda por etanol anidro em cerca de 400 milhões de litros ainda em 2026, contribuindo para o escoamento de parte dos estoques acumulados pelas usinas. O aumento da mistura, contudo, tende a absorver apenas parcialmente a expansão da oferta da safra atual, especialmente porque entra em vigor durante o período de maior produção sucroenergética.
A expectativa é de recuperação das cotações do etanol, mas em intensidade inferior à observada após a elevação da mistura de 27% para 30%, em agosto de 2025. Naquele período, os preços do etanol anidro avançaram cerca de 6%, enquanto os do hidratado tiveram alta aproximada de 5%. O cenário atual, entretanto, é marcado por maior disponibilidade de produto e estoques elevados. Os estoques de etanol anidro somavam 1,29 bilhão de litros na primeira quinzena de junho, volume 42% superior ao registrado no mesmo período de 2025, conforme dados do Ministério da Agricultura. No mercado de etanol hidratado, a demanda acumulou retração de 5,6% entre janeiro e maio em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Para o mercado de açúcar, o E32 pode estimular uma pequena alteração no mix de produção das usinas, com maior direcionamento da cana-de-açúcar para o etanol. Nas últimas semanas, a paridade favorecia a produção de açúcar bruto, impulsionada pela valorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York diante das perspectivas de menor oferta na Índia e na Europa e dos riscos climáticos. Com a expectativa de recuperação dos preços do etanol, parte dessa vantagem pode diminuir. A diferença de paridade entre açúcar e etanol está entre 70 e 100 pontos-base, o que pode incentivar algumas usinas a ampliar marginalmente a produção do biocombustível. O movimento, porém, tende a ser limitado, considerando que o mix de etanol no Centro-Sul já está cerca de 8% acima do registrado na mesma fase da safra anterior, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
No mercado de combustíveis, o E32 pode reduzir as importações de gasolina, mas com efeito restrito. Até maio, o consumo de gasolina C cresceu 265 milhões de litros em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a produção de gasolina A recuou 650 milhões de litros. A nova mistura já estava incorporada às projeções de mercado para a safra e para os preços. O E32 representa um alívio pontual para o setor sucroenergético e pode contribuir para o escoamento do excedente de etanol, dar sustentação às cotações e reduzir levemente a necessidade de importação de gasolina em 2026. No entanto, o cenário continuará condicionado ao avanço da oferta de etanol e à menor produção doméstica de gasolina.
Segundo avaliação do Citi, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina C de 30% para 32% (E32) deverá fortalecer a demanda pelo biocombustível e reduzir a necessidade de importações de gasolina, mas não será suficiente para equilibrar o mercado doméstico diante da forte expansão da produção de etanol. A medida poderá ampliar a demanda por etanol anidro em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano, contribuindo para reduzir a dependência brasileira de gasolina importada e oferecendo suporte ao setor sucroenergético. Apesar do impacto positivo, o aumento da mistura obrigatória não deverá eliminar o risco de excesso de oferta no mercado interno. O Brasil atravessa um período de expansão da produção de etanol, impulsionada tanto pelo maior direcionamento da cana para o biocombustível quanto pelo crescimento da produção de etanol de milho.
Permanecem em andamento estudos para futuras ampliações da mistura obrigatória, incluindo a adoção do E35 prevista na Lei do Combustível do Futuro. O E32 também tende a reduzir levemente o preço da gasolina ao consumidor, uma vez que o etanol anidro apresenta custo inferior ao da gasolina A. Entretanto, o efeito dependerá da política de preços da Petrobras. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina comercializada no mercado doméstico apresenta defasagem de R$ 0,79 por litro em relação ao preço de importação, enquanto o combustível vendido pela Petrobras está R$ 0,99 por litro abaixo da paridade internacional. Caso a Petrobras elimine essa defasagem e promova reajustes nas refinarias, haverá incremento anual de aproximadamente US$ 4,4 bilhões na receita e no Ebitda da companhia.
Nesse cenário, embora os preços da gasolina ao consumidor aumentem, a maior competitividade do etanol hidratado frente ao combustível fóssil tenderia a melhorar a remuneração dos produtores, mesmo em um ambiente de oferta elevada. Além da aprovação do E32, o CNPE também determinou que o biodiesel destinado ao atendimento da mistura obrigatória de 15% no diesel B seja produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), preservando o mercado doméstico da mistura obrigatória frente às importações. O colegiado não discutiu a elevação da mistura obrigatória de biodiesel para 16%. A ausência do tema era esperada, uma vez que os testes técnicos necessários para avaliar o aumento do percentual ainda não foram concluídos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.